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A década de Diogo Miranda

Com apenas 29 anos, Diogo Miranda está a celebrar, em 2017, 10 anos de uma carreira já recheada de sucessos. O jovem designer tem ganho reputação graças a um projeto que conjuga a criatividade do design com a gestão do negócio da moda, em Portugal e no mundo, online e offline.

Com figuras públicas como fãs, incluindo a modelo Sara Sampaio, a atriz indiana Sonam Kapoor ou a blogger brasileira Helena Bordon, Diogo Miranda conseguiu, a partir de Felgueiras – onde mantém o atelier, a loja e uma equipa de 10 pessoas – chegar um pouco por todo o mundo.

«Começámos, através das redes sociais, a receber mensagens e emails com contactos de lojas multimarca espalhadas pelo mundo a perguntar onde poderiam comprar as nossas roupas para colocar à venda. Isso foi uma surpresa muito grande», contou Diogo Miranda ao Jornal Têxtil, num artigo publicado na edição de abril (ver O negócio da moda).

A este primeiro contacto, sucedido há cerca de cinco anos, somaram-se muitos outros, espalhados, por cerca de 10 mercados, conseguidos também graças a um investimento grande em presenças internacionais, com passagem, sob a égide do Portugal Fashion, por Paris – com a participação em feiras e desfiles – e em Nova Iorque, onde mantém o showroom com investimento próprio.

A loja online abriu igualmente várias portas e, sobretudo, uma janela para saber quem é o cliente Diogo Miranda. «No site temos acesso em que países a marca é visitada e às vezes é uma surpresa os mercados onde há mais visitantes», afirmou.

Atualmente, cerca de 90% das vendas do designer – que além das duas coleções principais, para a primavera-verão e outono-inverno, desenha ainda as coleções pre-fall, resort e peças exclusivas, nomeadamente para noivas e noivos – são realizadas fora de Portugal.

«A minha assinatura acaba por ser aquela silhueta ampulheta, com formas femininas e sensuais q.b., aquele jogo do preto e do branco que gosto de fazer em todas as coleções – do ponto de vista do consumidor, uma peça de autor em tons preto e branco acaba sempre por ser uma boa aposta porque usa-se todas as estações», descreveu Diogo Miranda, que desenha as suas propostas com os seus clientes em mente. «Quando faço as coleções, estou a pensar no que vai resultar no país “X”, “Y” ou “Z”, no que vai funcionar em desfile, em produções de moda. O ideal é que só com uma ficha, atinjas toda a gente, pelo menos aquelas pessoas que tu sabes», explicou.

Um sonho que comanda a vida

Uma década depois, naturalmente o mundo dos negócios tem já poucos segredos para Diogo Miranda, que usou o know-how acumulado na família para, desde cedo, criar a sua própria empresa. «É muito gratificante que, por mais que tenha tido algumas ajudas, ou algumas linhas de segmento a nível empresarial, eu tenha construído isto tudo sozinho, com os meus erros, com coisas que fizemos mal, coisas que fizemos bem até chegar ao nível em que estamos hoje. Basicamente, a nossa empresa é sólida, rentável e o objetivo é aumentar cada vez mais a faturação e entrar nos mais diversos mercados», sublinhou o designer.

Os objetivos passam ainda por chegar às grandes cadeias de marcas a nível internacional, como o Barneys, ou a concept stores como a Colette, em Paris, até porque, destacou, «a moda de autor não é um produto de massas».

Mas a ambição, que o fez crescer ao longo desta última década, continua bem viva. «É reconfortante chegares ao fim de 10 anos e já teres uma máquina e mercado internacional. O meu desejo para daqui a cinco anos é que consiga mais do que nestes 10 anos. Porque as expectativas são cada vez maiores», concluiu o designer.