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A despedida de Slimane

Depois de vários meses de especulação, a confirmação da saída de Hedi Slimane da direção criativa da Saint Laurent atingiu os media internacionais na passada sexta-feira. Desde 2012 no leme da casa de moda, o designer deixou o seu posto à disposição de um sucessor ainda sem rosto.

O grupo Kering confirmou, em comunicado, a saída de Slimane, considerando que o criador de moda conseguiu um verdadeiro reposicionamento da marca, avançou o portal The Business of Fashion (BoF), ainda o primeiro de abril não tinha amanhecido.

E, apesar de a notícia ter chegado no dia das mentiras – deixando alguns dos leitores com um sentimento de dúvida –, a quarta saída de diretores criativos dos tronos do luxo (ver Au revoir, Elbaz) vem reerguer as questões sobre a exigência dos tempos atuais da indústria da moda (ver Uma indústria acelerada).«A direção tomada nestes quatro anos representa uma excelente base sobre a qual construir o sucesso da marca», destacou Francesca Bellettini, CEO da Yves Saint Laurent, citada no documento.

O look taciturno e rock’n’roll criado por Hedi Slimane – que se expressa numa combinação de botins, meias rasgadas e eyeliner esfumado – transformou-se numa verdadeira fonte de inspiração para a high street, com marcas como a Topshop e a Asos a garantirem uma tradução das passerelles da Saint Laurent nas suas montras físicas e digitais e num destino da cobiça de muitas celebridades e membros de bandas (ver Receita simples).

François-Henri Pinault, CEO do grupo Kering – que a par da Yves Saint Laurent detém ainda as marcas Gucci, Bottega Veneta, Balenciaga, Boucheron e Puma – declarou que «aquilo que foi conquistado pela Yves Saint Laurent nos últimos quatro anos representa um capítulo único na história da casa».

Hedi Slimane, de 47 anos, à data mentor da revolução de menswear na Dior Homme, sucedeu ao italiano Stefano Pilati na direção criativa da Yves Saint Laurent em março de 2012. Na altura, a decisão de Hedi Slimane em retirar o “Yves”, rebatizando as coleções de pronto-a-vestir, foi motivo de revolta para alguns seguidores mais ortodoxos da casa de moda.

Também a abertura de portas do atelier da marca francesa em Los Angeles, numa localização sobejamente afastada da sede da casa de moda, onde Slimane mora e escolheu apresentar a coleção de outono-inverno 2016/2017 mereceu críticas.

Alheia a todas estas polémicas, a matemática da marca dirigida por Hedi Slimane apenas conheceu somas e multiplicações. No ano passado, o volume de vendas da Saint Laurent rondou os 974 milhões de euros, comparativamente aos 707 milhões de 2014.

Segundo a Sanford C. Bernstein, entre 2012 e 2014, a casa de moda cresceu mais de 20% ao ano, superando o mercado global de artigos de luxo, apesar de ter um número de pontos de venda menor – 142 lojas — do que rivais como a Louis Vuitton ou a Gucci.

O grupo Kering não anunciou ainda quem assumirá o cargo e informou que divulgará «uma nova organização criativa para a casa no momento oportuno». Não obstante, o BoF aponta Anthony Vaccarello como um dos protagonistas dos rumores de sucessão.