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A diferenciação como chave do sucesso

Fundada nos idos anos 20 do século passado, em Rhode Island, nos EUA, como fabricante de fios de seda, a Concordia Fibers cresceu e transformou-se na produtora líder de fios sintéticos para aplicações têxteis tradicionais. No final da década de 80, a empresa expandiu as suas actividades à fabricação de produtos com valor acrescentado, incluindo compósitos avançados para aeronáutica, filtração, correias de transmissão e velas de barcos. Esta especialização não foi, todavia, suficiente para combater o tão anunciado avanço da concorrência dos fabricantes asiáticos. «O que era especial no passado não tem grande valor no presente, e os chineses estão hoje também a comprar as melhores e mais recentes máquinas. Deste modo, cabe-nos a nós ser ainda mais inovadores, e este é o motor que nos fez realmente avançar para a arena da medicina», afirma o presidente Randal W. Spencer. Com uma experiência construída no processamento de fibras, a empresa encetou o design e a construção de máquinas especificamente para a formação de estruturas têxteis para fibras reabsorventes. Para maiores cuidados de higiene e segurança, inaugurou uma sala própria com mais de 300 metros quadrados em 2003. «O trabalho com este tipo de materiais obriga a um grande controlo ambiental», explica Spencer. «Simplesmente não se pode produzir este material nas condições têxteis tradicionais. HoHá já algum tempo que dispomos de um excelente sistema de qualidade e temos vindo a desenvolver bastantes esforços no âmbito das fibras técnicas. Mas, agora, com aplicações no campo da medicina tivemos obviamente que subir a fasquia». Para além da certificação ISO 9001:2000 para os sistemas de gestão da qualidade, a empresa obteve a certificação ISO 13485:2003, que especifica requisitos neste âmbito para a produção de dispositivos médicos. Em 2005, a Concordia adquiriu os activos da Albany International Research Company no âmbito de estruturas de engenharia de tecidos leves (gazes, por exemplo), e actualmente está apta a produzir uma variedade de substratos poliméricos bioabsorventes em não-tecidos. O envolvimento da empresa neste campo constitui um prolongamento directo do trabalho realizado pelo laboratório de Robert Langer no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e da Albany iniciado em 1986. Estas estruturas não-tecidas foram desenvolvidas a partir de polímeros absorventes utilizando competências em processamento têxtil para criar substratos não-tecidos para as referidas aplicações. Os desenvolvimentos prévios foram inventados por Charles Vacanti do Massachusetts General Hospital em Boston, John Mayer do Children?s Hospital, também de Boston, e investigadores do Advanced Tissue Sciences de La Jolla, na Califórnia, além de colaborações de instituições líderes na Europa e na Ásia. A aquisição dos activos da Albany, relacionados com a produção dessas estruturas no início de 2005, resultou na marca Biofelt. Esta marca engloba uma gama de ?esqueletos? de feltros não-tecidos 3D absorventes que têm constituído os alicerces para o desenvolvimento de estruturas 3D mais avançadas. As vantagens principais do processo de feltros não-tecidos em relação às estruturas tecidas e tricotadas residem na elevada porosidade (superior a 97%) e excelente flexibilidade e maciez. A Biofelt é hoje usada por um elevado número de reputados investigadores e instituições de investigação em biomedicina por todo o mundo para aplicações avançadas no âmbito da engenharia de tecidos. O produto standard Biofelt da Concordia é produzido a partir do ácido poliglicólico (PGA) em feltros de 20 x 30 cm. A espessura pode estar compreendida entre 1 e 5 mm e a densidade volúmica de 25 a 100 mg/cc. A Concordia também responde a encomendas ?costumizadas? de feltros não-tecidos Biofelt fabricados a partir de polímeros como o poli-L-láctico (PLLA) ou copolímeros de PGA e PLLA, ou misturas de várias fibras poliméricas absorventes. Além disso, é ainda capaz de produzir feltros que contenham tecidos ou malhas grossas para conferir robustez adicional, mas mantendo a vantagem da elevada porosidade oferecida pela estrutura não-tecida. «Descobrimos que possuímos um conjunto invulgar de competências e uma boa capacidade de escuta dos engenheiros de biomedicina. Eles sabem que precisam de um ?esqueleto? sobre o qual possam trabalhar, e são bons na descrição das características dessa estrutura requerida, mas não se querem preocupar como fabricá-la. Somos efectivamente eficazes na prototipagem e desenvolvimento, que lhes permitem atingir a velocidade de cruzeiro nas suas investigações», conclui o presidente da Concordia Fibers.