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A eficiência da digitalização na Lectra

Seja na gestão das matérias-primas ou nos processos produtivos propriamente ditos, a Lectra Portugal, filial da multinacional de origem francesa, está empenhada em melhorar a eficiência da indústria e contribuir para a sua digitalização.

Rodrigo Siza Vieira

Durante a sua intervenção na iTechStyle Summit, Rodrigo Siza Vieira, diretor-geral da Lectra para Portugal e Espanha, sublinhou que «a crescente importância da inclusividade está a levar as empresas de moda a repensarem os seus modelos de negócio e o seu mix de produtos», dando como exemplo o crescimento de nichos no mercado americano, como o da moda de género fluído.

Isso implica que no futuro haja mais variedade e mais complexidade e, como tal, «novos desafios na gestão de materiais», uma área onde a multinacional de origem francesa tem procurado apresentar novas soluções, nomeadamente com a oferta de um serviço de marcadas na nuvem, que permite uma maior eficiência e otimização de custos, minimizando ainda o desperdício.

Ao Jornal Têxtil, Rodrigo Siza Vieira afirmou que ao nível das matérias-primas, seja no canal de compras, seja na área de gestão de materiais diretamente para a produção, a Lectra tem tido «algum sucesso», com «uma oferta que representa o estado da arte da tecnologia neste momento».

A digitalização é, de resto, «o grande propósito da Lectra hoje, porque é o grande propósito dos nossos clientes, nos diferentes mercados em que estamos. Seja na área do desenvolvimento de produto, seja nas áreas industriais, nomeadamente onde estamos, que é na sala de corte, seja nas áreas mais a montante, como pode ser o e-commerce, a integração com marketplaces, etc., isso são prioridades evidentes para nós, porque são prioridades para os nossos clientes».

Dos novos modelos de negócio à sustentabilidade, «tudo isso e outros temas que podemos falar são desafios evidentes para os nossos clientes e aos quais a Lectra tem que forçosamente responder. Tem que responder, por um lado, através da sua oferta, da sua tecnologia, mas também, por outro lado, através de novas áreas de expertise, novas áreas de conhecimento que saem fora das áreas tradicionais da Lectra e que, portanto, tem que se municiar de conhecimento e de tecnologia para saber responder a estes desafios. É justamente nesse sentido, com essa visão, que, em alguns casos, nestes últimos três anos, foram feitas algumas das aquisições da Lectra», referiu.

Aliás, considera, «essa visão nova é muito enriquecedora. A aquisição de algumas start-ups foi não só para incorporar nova tecnologia, mas também permitiu uma nova visão do negócio e de como a tecnologia se adapta ao negócio», resumiu Rodrigo Siza Vieira.

Preparados para os desafios

Um negócio que tem, neste momento, vários fatores de risco, nomeadamente a guerra em curso na Ucrânia. «Temos que saber reagir ao contexto e estamos a fazê-lo, mas,  se bem que havia indicadores já desde o último trimestre do ano passado que nos deixaram alerta, evidentemente que a guerra na Ucrânia veio trazer uma perceção de ainda mais falta de visibilidade aos nossos clientes, que se traduz, no imediato, num crescimento dos custos dos fatores de produção, que, para os nossos clientes locais, que são sobretudo indústria, tem um impacto grande, porque os seus programas já estavam negociados com os clientes e este súbito crescimento de custos na produção nem sempre pode ser refletido nos preços. Portanto, naturalmente os nossos clientes estão muito apreensivos e isso reflete-se no nosso negócio. É normal. Agora estamos a tentar trabalhar para que o nosso modelo de negócio, por um lado, não seja posto em causa e, por outro lado, que ainda assim sejamos capazes de responder a este novo contexto para os nossos clientes», apontou Rodrigo Siza Vieira.

As perspetivas para o resto do ano passam por «muita prudência», mas, sobretudo, e estando atento às variáveis externas, «conseguir, com os nossos serviços e com a nossa tecnologia, criar condições para que possamos criar mais valor para os nossos clientes, de maneira a que eles também estejam mais beneficiados para enfrentar a situação que temos hoje e que não sabemos exatamente qual poderá ser amanhã», concluiu o diretor-geral da Lectra para Portugal e Espanha.