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A elasticidade da KiddyTex

A empresa dedicada à produção de vestuário para bebé e criança considera que a elasticidade foi o segredo para conseguir fazer frente à pandemia. A aposta na marca própria, a Caracol, caminha a passos mais lentos, enquanto o private label mantém o foco nos mercados escandinavos.

Isabel Queirós Ribeiro

Sustentabilidade e inovação são duas palavras que se podem aplicar para descrever o conceito da KiddyTex, que trabalha exclusivamente com fibras naturais e de origem ecológica. Prova disso é a investigação contínua que a empresa tem vindo a desenvolver nesta área e a utilização de materiais como o poliéster reciclado, que tem tido «uma recetividade muito boa».

«Trabalhamos muito para o norte da Europa e são mercados que têm uma grande preocupação com o ambiente, com o consumo dos recursos naturais e toda essa preocupação eles conseguem transmitir para o seu dia a dia», explica Isabel Queirós Ribeiro, responsável pela produção e design da KiddyTex. «E o vestuário é uma coisa que se utiliza diariamente. Eles são muito exigentes nessa área», afirma ao Portugal Têxtil.

Com uma quota de exportação de 100%, a França é o maior mercado da empresa no que diz respeito ao regime private label, assim como a Inglaterra e outros países da Europa. «Os mercados francês e inglês são os que têm mais peso para nós, porque também aquilo que fazemos vai muito ao encontro do que eles pretendem. Mas, neste momento, os mercados escandinavos estão a ser já alvo de uma aposta nossa», revela Isabel Queirós Ribeiro.

Mesmo com a chegada da pandemia, que obrigou a empresa a reorganizar-se de forma a poder manter-se ativa «sem riscos», a KiddyTex não teve necessidade de recorrer ao layoff, dado que a flexibilidade foi a chave para conseguir ter o stock de materiais dentro de portas atempadamente, para dar continuidade às produções. «O nosso ensinamento maior foi a flexibilidade e a capacidade de rapidamente nos reinventarmos quer a nível de produção, quer a nível de estrutura da empresa. Acho que esta elasticidade a que fomos obrigados trouxe-nos ensinamentos e mostrou-nos que, mesmo não havendo pandemia, temos que ser muito ágeis», admite a responsável pela produção e design. «Houve ali um período em que pus toda a gente a trabalhar em termos de fornecimento, no pleno, no máximo, porque eu só dizia se isto parar fico sem material para trabalhar», reconhece.

Travão de receio e novas áreas

A relação com o mercado inglês foi onde a KiddyTex mais sentiu o impacto da crise sanitária, apesar do private label estar a «crescer bastante». «O private label está tendencialmente a crescer, até mais rápido do que imaginávamos. Achávamos que íamos ter um crescimento certinho, mas estamos a ter um crescimento mais rápido, não sei se isto se vai manter ou não», adianta Isabel Queirós Ribeiro. «O mercado inglês ficou um bocadinho aflito porque tiveram inicialmente um problema muito grande e ficaram a pensar. Ficaram muito receosos e pediram-me para pôr um travão nas produções. Eram clientes em crescimento, acabaram por não crescer aquilo que contava porque ficaram com medo da pandemia. Depois, no fim, acabaram por se arrepender e até queriam fazer reposições à última da hora, mas já não podíamos porque não havia tempo para fazer as encomendas seguintes», aponta.

Também a fazer jus ao conceito de adaptação subjacente a esta época sem precedentes, já que os pedidos dos clientes ecoaram isso mesmo, a KiddyTex tem «tudo formatado» dentro de portas para produzir vestuário de proteção médica. «Agora vamos começar a produzir máscaras porque temos muitos pedidos de clientes e então tivemos que adotar uma parte da empresa também vocacionada para a produção de máscaras. Não tanto as máscaras em si, mais até vestuário de proteção médica como as batas e tudo isso», esclarece a responsável pela produção e design.

Arrancar em ascensão

Com um volume de negócios em 2019, para o private label, de 500 mil euros, a KiddyTex, que emprega 30 pessoas, prevê que, em 2020, registar um valor superior, fruto do trabalho ininterrupto da empresa. «Houve aqui um fator importante: ter conseguido pôr dentro de portas, atempadamente, os materiais todos. Não tivemos cancelamentos de encomendas, tivemos alguns adiamentos em que os clientes nos pediram para ficar com as mercadorias dentro de portas até desconfinar nos países deles, mas todos aceitaram as mercadorias, portanto posso dizer que nos correu bem», assevera Isabel Queirós Ribeiro.

No meio de um cenário positivo, a Caracol, marca própria da empresa, acabou sendo «sacrificada», visto que aumentar a representatividade da insígnia seria uma meta a cumprir durante o corrente ano, com a ajuda de Maria Caetano, a nova estilista contratada com este propósito. «O Covid atrasou-nos, tivemos que nos empenhar fortemente em não deixar cair os clientes de private label. Conseguimos, entregamos todas as mercadorias e coleções a tempo, mas a Caracol ficou em stand by quando já devia ter começado no início deste ano», elucida a responsável pela produção e design, sublinhando ainda que a marca «está a arrancar outra vez».

«Vamos ter novidades e ver se já conseguimos participar em feiras. Estamos a pensar, por exemplo, na Playtime já em fevereiro», avança.

Com o website próprio, a Caracol vai continuar a investir no canal online também através das redes sociais. «As redes sociais são fundamentais e depois temos parcerias com bloggers, que estão já a ser tratadas», garante Isabel Queirós Ribeiro.