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A escalada dos têxteis na Índia

Até 2025, o mercado de têxteis e vestuário da Índia deverá crescer 14% ao ano e superar os 290 mil milhões de euros, graças às políticas governamentais de apoio, ao aumento da classe média e ao desenvolvimento do retalho organizado.

A conclusão é de um estudo da Textiles Intelligence, publicado na mais recente edição da Textile Outlook International. «O crescimento vai ser impulsionado por uma forte expansão do mercado doméstico assim como por exportações mais elevadas, ajudado por incentivos governamentais e políticas de apoio», explica a Textiles Intelligence.

Em junho de 2016, refere o relatório, o governo indiano anunciou um pacote especial de medidas para a indústria têxtil e vestuário sob a chancela da Nova Política Têxtil Nacional, com o objetivo de assegurar um aumento significativo nas exportações até 2024/2025 e a criação de 35 milhões de novos empregos, a maior parte dos quais assumidos por mulheres.

Cerca de 21 meses antes, o governo tinha lançado a iniciativa “Make in India” com o objetivo de transformar o país num centro mundial de produção com o apoio de produtores estrangeiros.

Estas políticas deram um ímpeto considerável aos fluxos de investimento direto estrangeiro, o que levou a Índia a tornar-se no país que angariou mais investimento direto estrangeiro em 2015 – à frente mesmo da China e dos EUA.

O documento indica que o valor do mercado interno de têxteis e vestuário da Índia deverá atingir 314 mil milhões de dólares (293,5 mil milhões de euros) em 2025 – representando um crescimento médio anual de 14% num período de 12 anos – como resultado de um aumento da prosperidade e da população do país.

A Índia tem uma população de 1,28 mil milhões de habitantes e uma economia em rápido crescimento, estando ainda a beneficiar de um maior dinamismo no retalho. Este último pode ser atribuído à rápida expansão da classe média do país, uma grande proporção de consumidores jovens e aumentos significativos no rendimento pessoal disponível.

Sem surpresa, há um crescente interesse entre os produtores e retalhistas estrangeiros em estabelecer uma presença no mercado indiano – vários negócios com marcas conhecidas, incluindo a Aéropostale, a Gap, a H&M e a Massimo Dutti, entraram no país nos últimos anos. «Também as marcas de gama alta e de luxo estão a tentar usar o mercado como base para a produção e aprovisionamento de mercados em todo o mundo, assim como para fornecer os próprios consumidores indianos de rendimentos médios e altos», destaca o estudo.

A Textiles Intelligence revela que 90% do mercado da Índia continua a ser dominado pelo comércio não-organizado, mas que o mercado está a evoluir rapidamente, pelo que as lojas de retalho organizado deverão expandir-se fortemente em linha com o aumento dos consumidores da classe média, que tendem a desenvolver uma forte fidelização às marcas e estão mais capazes e com vontade de gastar em artigos com melhor qualidade.