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A especiaria da Sedacor

Hoje, a receita da empresa do grupo JPS Cork pode parecer simples, mas foram precisas décadas para apurá-la, condimentando-a apenas com uma especiaria, a cortiça. Depois do calçado, têxteis-lar e do vestuário, eis que chegam os têxteis técnicos à Sedacor.

A Sedacor recusa-se a ficar à sombra do sobreiro. Aos tecidos obtidos a partir da matéria-prima, a empresa decidiu acrescentar um fio para vestuário e têxteis-lar, no âmbito do projeto Cork.a.Tex-Yarn, realizado em parceria com a Têxteis Penedo, o Citeve e o LSRE-LCM.

Como explicou Albertino Oliveira, diretor comercial e de marketing da Sedacor, na edição de maio do Jornal Têxtil (ver Sedacor dá asas à cortiça), o Cork.a.Tex-Yarn consiste na industrialização de um fio de algodão revestido com aditivos de cortiça.

O desenvolvimento inicial decorreu entre 2014 e 2016, sendo que a nova fase tem como meta a industrialização do processo de produção.

Apesar de ser uma área «inovadora e de diferenciação» para a empresa, os tecidos já representam atualmente «5% a 10% da faturação» da Sedacor, de acordo com a informação recentemente atualizada por Albertino Oliveira ao Portugal Têxtil.

Em termos de áreas de aplicação, as potencialidades dos produtos inovadores da Sedacor têm vindo a ser exploradas nos têxteis-lar, vestuário e acessórios.

«Mas não são as únicas», ressalvou Albertino Oliveira. «Estamos a procurar fazer um upgrade do produto, com maior valor acrescentado, nomeadamente nas áreas de têxteis técnicos, para permitir atingir outras áreas de negócio», acrescentou.

A união faz a força da cortiça

A par de um investimento de «1,5 milhões nos últimos dois, três anos» em I&D, a Sedacor tem também apostado em parcerias com entidades como o CeNTI e o Citeve, e também com instituições de ensino como a Universidade do Porto

«Com o CeNTI há um projeto que estamos a desenvolver no sentido de melhorar a resistência dos nossos materiais à luz e ao fogo», adiantou o diretor comercial e de marketing ao Portugal Têxtil. Com o Citeve, depois do Cork.a.Tex-Yarn, existe já um outro projeto «para desenvolver um novo couro vegetal», também com vários parceiros envolvidos.

A par das novidades no portefólio de produtos, a empresa, com um efetivo de 90 pessoas, tem também boas-novas em termos de mercados.

«A Índia é o nosso novo mercado», indica Albertino Oliveira, que está assim a apresentar a Sedacor aos mercados da Rota das Especiarias do século XVI.

Como resultado de todas estas descobertas e conquistas, a empresa antecipa um crescimento na ordem dos 5% em 2017, tendo o ano passado sido fechado nos 18 milhões de euros.