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A eterna cor da moda

O preto volta a dar cartas e será presença dominante tanto na estação quente, como no próximo Outono/Inverno, onde habitualmente as cores vivas e fortes têm um papel de destaque. Definida como "ausência de cor", o preto é habitualmente a preferida e a mais utilizada nas passerelles sobretudo quando as colecções são da autoria de Miguel Vieira ou Nuno Baltazar que a classificam como sinónimo de «elegância, classe e sobriedade». Básico ao limite, o preto pode igualmente ganhar feminilidade, modernidade e alguma ousadia quando conjugado com acessórios de cor, permitindo às peças ganhar novos contornos e um visual distinto. Na moda, o preto abre igualmente espaço para o trabalho das formas: sobreposições, recortes e alfaiataria, onde tudo é permitido uma vez que a própria cor imprime a densidade necessária. Esta cor começou a ganhar relevância em 1926, quando Coco Chanel – designada por muitos como a deusa da sofisticação – lançou um vestido que acabou por se tornar em ícone de moda e que ganhou a designação de "preto básico aplicável a qualquer situação". Nos dias que correm, o preto contínua na moda , passados 81 anos, é uma cor necessária em qualquer guarda-roupa, completando a máxima de Chanel que dizia que a «simplicidade é a chave da verdadeira elegância». Talvez por esse motivo as roupas e acessórios de cor preta formam, em média, 41% do guarda-roupa de uma mulher, de acordo com uma pesquisa realizada por um site de moda britânico. Segundo o site Miss Butterfly, o preto está presente não apenas no "vestido preto básico", peça-chave de qualquer guarda-roupa feminino, imortalizada no filme Bonequinha de Luxo, em que Audrey Hepburn usava um vestido preto de Givenchy. Actualmente o preto está em todo o lado, desde as carteiras, aos sapatos, passando pelas saias, calças e camisolas. A pesquisa, que inquiriu cerca de 2,5 mil usuárias do site, sugere que a razão principal para a utilização do preto é, na maioria das vezes, uma consequência da falta de inspiração para misturar e brincar com a roupa. De igual forma, mais de um terço das entrevistadas afirmou preferir o preto porque se trata de uma cor que fica bem com qualquer outra cor e porque a mesma é a que lhes "assenta" melhor. O mesmo estudo revelou que, em média, cada mulher teria no seu guarda-roupa: três pares de calças compridas pretas, um par de jeans pretos, três saias pretas, dois vestidos pretos, seis camisolas pretas, doze blusas pretas, cinco casacos pretos e 12 pares de sapatos pretos. No entanto, há quem discorde do conceito de elegância quando o preto é usado em demasia. As críticas partem sobretudo dos namorados e maridos das inquiridas. Segundo 15% das mulheres ouvidas, os seus companheiros reclamam com frequência do excesso de preto no visual. O excesso de roupas também é fonte de desentendimentos domésticos, principalmente porque muitos casais dividem o guarda-roupa. Uma vez que cada mulher possui uma média de 110 peças de roupa, não é surpresa que elas tomem conta de 77% do armário comum. Parte dessas roupas, todavia, nunca mais será usada, de acordo com 92% das entrevistadas. Paralelamente, em média, as mulheres fazem arrumação aos seus armários uma vez em cada 3,5 anos, mas algumas peças de roupa favoritas são guardadas cerca de 11 anos. Várias entrevistadas revelaram ainda que já quebraram o cabide do armário por causa do peso de tantas roupas.