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A Europa dos Resultados

A revista britânica The Economist publicou na sua edição especial sobre «O Mundo em 2006», um texto do presidente da Comissão Europeia (CE), que destaca o enfoque que a UE deve realizar naquilo que verdadeiramente interessa aos cidadãos – o crescimento e o emprego -, a que acrescenta um desejo de união e de capitalização de todos os êxitos da Europa até agora, que permitirá olhar o futuro com optimismo. O presidente recorda no inicio do seu artigo que o corresponde em Bruxelas do The Economist previu na edição análoga do ano passado, que 2005 seria marcado pelo confronto entre o projecto de uma elite e a opinião pública, o que seria perigoso para a UE. «Adivinhem o que aconteceu?», questiona o presidente. Neste âmbito, o presidente avança que nas expectativas para este ano devemos considerar em primeiro lugar que a UE terá que gerir o não à Constituição Europeia de dois membros fundadores da Europa – A França e a Holanda- , e tentar remediar a separação entre políticos e cidadãos. Em segundo lugar, refere, «a globalização irá continuar a um ritmo extraordinário. Em 2006, os efeitos da tecnologia serão transmitidos de umas partes do mundo para outras ainda mais rapidamente». E em terceiro lugar, Durão Barroso diz que «a necessidade de uma resposta europeia aos desenvolvimentos globais será maior que nunca». E pergunta: «e qual deve ser a resposta Europeia?»; «Deve abrir-se. Não para se esconder da realidade, mas sim para compreender a realidade e poder dar resposta, através de um novo momento que permita reformas que mostrem que a Europa está aberta a mudanças, aberta à solidariedade, tanto dentro como além fronteiras», responde Barroso. E «a chave está no debate sobre o crescimento e emprego. Em 2006, a Europa concentrar-se-á mais nos resultados do que na ideologia. Os lideres europeus vão reconhecer que os princípios da igualdade e solidariedade, que servem de base aos seus modelos sociais e económicos, precisam de ser totalmente compatíveis com a concorrência e o crescimento sustentado, em suma, que são interdependentes», complementa o presidente da CE. Acrescenta que os novos Estados-membros terão um papel importante: «2006 será o seu ano». Especificando, Durão Barroso refere que «é já fácil compreender a sua contribuição para a UE: ideias, energia, especialização e crescimento económico. Em 2006 tal será ainda mais evidente quando os outros Estados-membros reconhecerem as capacidades de comércio e investimento dos novos membros». Termina com uma declaração, que é mais um desejo do que uma previsão: «que a UE saiba apreciar os seus êxitos e ter confiança suficiente para novos desafios. A Europa percorreu um longo caminho desde o Holocausto que terminou há 60 anos, desde as ditaduras da Europa do Sul que terminaram há 30 anos, da repressão comunista da Europa Central e de Leste há 20 anos, e da limpeza étnica nos Balcãs há 10 anos atrás. A UE participou na resolução dos sangrentos conflitos do século XX na Europa. Seria bom quer o próximo ano demonstrasse que esta contribuição será também válida no século XXI».