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A evolução natural dos wearables

Com a procura do consumidor em crescendo e o design a merecer uma atenção especial, o mercado da tecnologia wearable está a tornar-se cada vez mais extenso e definido.

Os próximos anos vão assistir a oportunidades significativas para o desenvolvimento de novos produtos e conhecer uma linguagem de design amadurecida na tecnologia vestível, de acordo com o portal de tendências WGSN.

Inteligência invisível

Com as primeiras aplicações do Project Jacquard, fruto da parceria entre a Google e a Levi’s (ver Jeans inteligentes), a chegar aos consumidores em 2016, este ano assistirá a roupas inteligentes cada vez mais próximas do do consumidor. Ainda que o Project Jacquard não tenha sido o primeiro produto de vestuário “conectado” – a Ralph Lauren foi pioneira (ver Viagem ao futuro) –, espera-se que atraia a atenção dos consumidores e estimule marcas a abraçarem efetivamente esta ideia.

A Humanfit da Samsung já está a experimentar outro tipo de abordagem. Na feira de tecnologia CES 2016, a empresa apresentou um fato inteligente com tecnologia NFC incorporada (ver O capítulo da Samsung) e o seu próximo projeto, uns sapatos inteligentes, batizados IoFIT, têm estreia agendada para este mês.

O vestuário inteligente – como tantos dispositivos wearables – é uma solução à procura de um problema. Mas à medida que a tecnologia se torna mais acessível, os consumidores vão acabar por decidir o que realmente querem que as roupas inteligentes façam – o controlo de temperatura é uma opção viável e tecnologia que se encaixa de forma invisível nas roupas vai tornar-se cada vez mais desejável.

Tecnologia como acessório de moda

A tecnologia wearable que permanece visível nos corpos deve ser esteticamente apelativa. Com as marcas de moda a colaborarem com empresas de tecnologia ou a desenvolverem os próprios dispositivos wearables in-house, uma estética mais refinada está a emergir em pulseiras, joias e smartwatches que incluem materiais de luxo em termos de tecidos, cristais, metais, etc.

A nova pulseira de fitness da Misfit, Ray, assemelha-se a uma pulseira rosa-ouro, enquanto o conceito Charm da Samsung possui um sensor parecido com uma pedra preciosa integrada numa bracelete ou anel, oferecendo múltiplas opções de styling.

A nova coleção de wearables da “ava rara” da moda Iris Apfel em parceria com a Wisewear promete acabar com as conotações negativas no que à estética destes dispositivos diz respeito (ver Iris Apfel estreia-se nos wearables), enquanto a Swarovski lançou um cristal inteligente que utiliza pontos de luz para o tracking e mostrar alertas.

A Fóssil é outra das marcas-chave que vai levar a moda até à tecnologia em 2016 – a marca planeia lançar 100 wearables este ano (ver Horas tecnológicas).

Oportunidades no segmento active

A tecnologia wearable teve os seus primeiros seguidores no mercado active, que está atualmente a estimular uma enorme quantidade de produtos inovadores. Neste contexto, a aplicação de tecnologia resume-se a quatro vetores: fitness, estilo, precisão e abrangência. A Under Armour, que já terá investido mil milhões de dólares (aproximadamente cerca de 916 milhões de euros) em dispositivos de bem-estar e saúde, espera controlar estes quatro cenários de atuação com o lançamento da UA Healthbox, uma caixa de dispositivos de fitness desenvolvida para uma utilização de 24 horas, que acompanha o corpo em movimento e em repouso.

A linha de fitness inteligente da Athos é igualmente ambiciosa – mede a frequência cardíaca e a atividade muscular em tempo real para proporcionar uma visão de 360º da performance do corpo.

Com as marcas a começarem a aproveitar as enormes oportunidades do mercado dos wearables focados no sexo feminino, os soutiens inteligentes estão a surgir como um produto-chave. O OMbra da OMsignal apresenta métricas únicas, incluindo a respiração, bem como um design elegante e confortável, que exigiu mais de 1.600 protótipos para alcançar a perfeição.

Tecnologias de bem-estar

Com o mindfulness (originalmente um conceito de meditação budista que tem vindo a ser aplicado a vários contextos) a influenciar o estilo de vida dos consumidores, métricas baseadas em estados de espírito e bem-estar podem revelar-se uma aplicação fértil para os wearables.

A nova pulseira Feel promete “rastrear a felicidade”. Ao analisar a temperatura da pele e as reações cutâneas, a pulseira analisa os níveis de stresse e pode oferecer atividades calmantes via aplicação.

Descrito como um “computador de bem-estar”, o anel inteligente Oura analisa a qualidade do sono e níveis de atividade, sugerindo pequenas melhorias contínuas que acredita poderem proporcionar até um estilo de vida mais equilibrado.

A pulseira Sona da Caeden promete aumentar a concentração, gerir o stresse, acompanhar o ritmo cardíaco e proporcionar exercícios de meditação.

Já o monitor de raios ultravioleta da L’Oréal recorre a um corante fotossensível que muda de cor quando a pele é exposta ao sol.

Design inclusivo

À medida que o mercado dos wearables se desenvolve, novas soluções para as necessidades de usabilidade e funcionalidade específicas têm vindo também a surgir.

O Dot, o primeiro smartwatch para invisuais, usa o sistema de leitura braille no mostrador do relógio para comunicar textos ou tweets e conexão com telemóvel via Bluetooth. Criado para os 285 milhões de invisuais à escala global, o produto vai custar cerca de 300 dólares quando for lançado (aproximadamente 275 euros).

O aparelho auditivo da Soundhawk é outro dos novos dispositivos neste território. Projetado para pessoas que têm algum grau de dificuldade auditiva, mas não usam um aparelho auditivo, estes “hearables” são o equivalente áudio para os óculos de leitura.

O poder da UI (User Interface)

O potencial de design em torno de aplicações e interfaces é enorme: é aqui que os utilizadores de wearables avaliam os dados, tomam decisões e, finalmente, obtêm o máximo de valor do produto.

A tendência atual em interfaces é no sentido de desenvolver gráficos simplificados e coloridos que reagem quando o utilizador alcança os seus objetivos. Conselhos de saúde e dieta surgem em forma de mensagem de texto com uma linguagem amigável. O próximo passo para estas interfaces é torná-las mais abertas à personalização.

À medida que a Inteligência Artificial (AI) vai avançando, os utilizadores serão capazes de decidir exatamente como querem que os seus wearables falem com eles, selecionando, por exemplo, o tipo de gíria preferido.