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A febre amarela

A China irá destronar os EUA, tornando-se o maior mercado de vestuário do mundo em 2019, de acordo com uma previsão de mercado divulgada pelo Euromonitor, que comparou o desempenho da indústria das duas maiores economias mundiais.

August 5, 2007. Cambodia. World Bank President Robert. B. Zoellick visits a garment factory. Worker sewing a shirt at New Island clothing Factory.

O relatório revelou que as vendas de vestuário anuais na China deverão superar os 300 milhões de dólares em 2019, um aumento de 25% face a 2014. Por oposição, as vendas de vestuário americanas deverão somar 267 milhões de dólares em três anos, um crescimento de apenas 3% face ao valor de 260 milhões de dólares alcançado no ano passado.

Apesar da desvalorização do yuan, a par dos custos crescentes das matérias-primas e da mão-de-obra laboral, que afetaram diretamente o mercado de vestuário do país, a China continuará a liderar o mercado de vestuário global.

Sheng Lu, pertencente ao departamento de estudos de moda e vestuário da Universidade do Delaware, nos EUA, sustentou que as empresas de vestuário e marcas de moda americanas devem reconsiderar a sua estratégia de aprovisionamento, em específico para o mercado chinês.

Lu explicou, no contexto do relatório, que, para muitas empresas de vestuário chinesas, servir o mercado interno irá ajudá-las a evoluir face a uma posição de fabricação de baixo valor agregado para funções de valor superior, como design, branding e distribuição, como forma de impulsionar as exportações.

O estudo revela que o mercado chinês foi mais competitivo do que o americano, porque nenhuma marca de vestuário do território continental foi capaz de alcançar uma quota de mercado superior a 1% em 2014, face a uma quota de mercado de 2% detida por várias marcas líderes nos EUA. A investigação mostrou, também, que as marcas domésticas apresentaram, globalmente, uma prestação superior às marcas internacionais no mercado chinês.

O relatório do Euromonitor sugere que, apesar da dimensão global do mercado, enquanto país em desenvolvimento, os gastos em dólares per capita, despendidos em vestuário, permanecerão substancialmente inferiores na China, face a diversas economias desenvolvidas do mundo. Segundo o documento, em 2014, cada consumidor chinês gastou, em média, 240 dólares em vestuário, face a 815 dólares nos EUA, mesmo considerando que a despesa em vestuário representou a maior parcela do rendimento familiar na China, cerca de 10%, em comparação com menos de 3% nos EUA.

Lu apontou que o controlo dos custos de aprovisionamento será igualmente importante para a China, assim como para os Estados Unidos. Enquanto a maioria das importações de vestuário americanas é proveniente da China, com a tarifa aplicada a fixar-se em 9,63% para os têxteis e 16,05% para o vestuário, os acordos de livre comércio em negociação poderão conduzir à sua substituição por produtos fabricados na Ásia.

Os importadores de vestuário antecipam um aumento das expedições provenientes da Ásia esta estação, mas estão atrasadas. «A época alta já não é julho. Está a atrasar um pouco para muitas das empresas de moda», afirma Julie Hughes, presidente da Associação da Indústria da Moda dos EUA. «Temos consultado os nossos membros e eles esperam o transporte em setembro ou até outubro».

As importações americanas continuam a aumentar. Mario Moreno, economista do JOC.com, prevê 20,4 milhões de TEU (medida padronizada utilizada para calcular o volume de um contentor) de importações contentorizadas este ano, um aumento de 6,6%. O desequilíbrio face às exportações, que deverão totalizar apenas 11,7 milhões de TEU este ano, estão a causar dificuldade para as linhas de contentores.