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A. Ferreira & Filhos inova sem costuras

A produção de camisolas sem costuras em jogo fino é um dos trunfos atuais da A. Ferreira & Filhos. A empresa é das poucas a ter a tecnologia instalada, num investimento que além de permitir inovar, acresce às credenciais ecológicas do produto, tanto para adulto como para criança.

Noël Ferreira

As vantagens da tecnologia vão além da eliminação do desperdício existente com a produção normal, que implica corte e costura. A inexistência de costuras confere um maior conforto, as linhas dos ombros adaptam-se melhor ao corpo e as peças ganham mais sofisticação. «Ninguém mais faz isto em Portugal», garante Noël Ferreira, administrador da empresa familiar, sublinhando que as máquinas adquiridas – um total de cinco, tendo as últimas duas sido montadas em dezembro do ano passado – têm «o dobro das agulhas de uma máquina normal» e que apenas mais um produtor português tem a mesma tecnologia, «mas ainda não está a produzir».

A resposta dos clientes tem sido positiva, tanto no vestuário de bebé, nomeadamente para a marca própria Wedoble, como no de adulto. «Nas nossas encomendas de verão, mais de metade das peças de tricot são sem costuras em jogo fino», revela o administrador ao Portugal Têxtil.

Sem lay-off nem máscaras

Os últimos meses, apesar de difíceis, foram de trabalho. «Não fizemos lay-off nem fizemos máscaras», conta Noël Ferreira. «Continuamos a trabalhar, sobretudo na Wedoble. Tínhamos algum fio e fomos trabalhando. Mal abriram as empresas, vieram as encomendas de private label», afirma o administrador da A. Ferreira & Filhos, que produz ainda mantas.

As encomendas, contudo, continuam a ser colocadas em cima da hora, o que provoca alguma incerteza em relação ao resto do ano. «É um bocado estranho, porque tenho a sensação que não vai correr mal, mas na realidade não há encomendas – as encomendas podem vir a qualquer momento, muito mais em cima», acredita.

Os números atuais apontam para uma queda de «no mínimo 20%», indica Noël Ferreira, em comparação com um ano que já não tinha sido bom. «2019 correu um bocado mal, ficamos um pouco abaixo dos 4 milhões de euros. Este ano tinha começado bem e achávamos que íamos retomar os valores de 2018, mas veio a pandemia», confessa o administrador.

Um dos principais entraves, assume, é a incerteza para o futuro. «Estamos sempre às escuras, não sabemos o que se vai passar. Agora está a vir a segunda vaga. Será que vamos voltar a confinar? Será que vamos ter as matérias-primas que vêm de Itália? Será que vamos poder viajar? É muito complicado», admite.

Determinante será o comportamento do consumidor. «Os consumidores é que determinam tudo, se o consumidor comprar, tem que haver compras», assegura.

O online tem tido um papel revelante no desenvolvimento dos negócios, tanto na vertente B2B como na venda direta aos consumidores, nomeadamente para a marca Wedoble, para a qual tem plataforma própria. «Está a ficar mais sério», reconhece o administrador, que indica ter muitas encomendas. «Quem vê de fora, vê que temos muito trabalho online, mas a maior parte desse trabalho é satisfazer os nossos clientes B2B – uma loja pode fazer as suas encomendas online», explica. No entanto, a venda ao consumidor final, que inclui envios para a Europa, «está a funcionar cada vez melhor», aponta Noël Ferreira

Regresso às viagens

A A. Ferreira & Filhos, que emprega 77 pessoas, está igualmente representada na plataforma online Springkode com malhas para adulto. «O que fazemos para a Springkode é tudo cinco estrelas, para podermos fazer pequenas quantidades», salienta. «Nós já tínhamos uma loja de fábrica e decidimos que, para a nossa loja, íamos fazer produtos especiais, ou seja, não íamos aproveitar as sobras. Decidimos então fazer mais peças de adulto e quando a Springkode nos abordou, decidimos potenciar as nossas vendas – aquilo que se vende na Springkode é o que se vende na nossa loja de fábrica», esclarece.

Para os próximos tempos, o regresso às viagens é inevitável. «Vamos começar a viajar outra vez, apesar das restrições nas viagens para a Dinamarca, para a Finlândia, etc.», adianta Noël Ferreira. «Temos que mostrar as coisas aos clientes: mandar caixas de amostras não pode ser. Os clientes não estão para aturar isso. Quando fomos a França, houve clientes que cancelaram por causa do Covid e agora estão todos a aceitar a nossa visita em outubro», elucida. «Mas se os clientes até agora restringiam um bocado as visitas porque não estão para perder tempo, agora ainda é muito mais seletivo», destaca.

Em cima da mesa está ainda a participação em feiras. «É importante mostrarmo-nos», sublinha Noël Ferreira.