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A fita métrica da era 3D

Entre as tradicionais alfaiatarias de Hong Kong, a Gay Giano decidiu dar folga à fita métrica e trocá-la por um scanner corporal 3D – um passo dado no futuro, capaz de recolher mais de 120 dados de medição em menos de 10 segundos.

Os clientes são convidados a vestir uma peça justa dentro de um provador equipado com 14 sensores de infravermelhos, oito na frente e seis na parte de trás. A máquina instrui o cliente a situar-se num determinado local e a esperar enquanto faz o seu trabalho em menos de 10 segundos. Os dados, incluindo não só as medidas de comprimento e perímetro, mas também os ângulos, são instantaneamente enviados para uma aplicação (app), num tablet.

Matthew Lee, diretor de negócios de desenvolvimento na Charmston (Holdings) Limited, proprietária da alfaiataria Gay Giano afirmou, à Reuters, que a tecnologia ajuda a reviver um comércio que tem assistido ao desinteresse dos jovens designers. «Há uma enorme desconexão entre os artesãos e artesãs tradicionais e os da próxima geração. Não há ninguém a prestar atenção a esta temática. Então, sentimos que era deixar o comércio morrer ou revitalizá-lo com tecnologia, deixando esse tipo de conhecimento registado», explicou Lee.

Soddy Cheng, um alfaiate que dedicou as últimas décadas aos fatos por medida, sublinhou que, atualmente, há apenas cerca de 200 alfaiates em Hong Kong, uma cidade de 7 milhões de pessoas e famosa pela sua alfaiataria de alta qualidade. Cheng ressalva que a utilização do scanner de corpo apenas vem substituir um dos passos presentes na arte de fazer um fato feito por medida. «Os alfaiates normalmente não conhecem os clientes. Mas esta tecnologia 3D pode ajudá-los a visualizar as formas do corpo dos clientes», apontou.

Alan Chan, cliente de um dos fatos por medida da Gay Giano, destacou a eficiência do scanner, uma vez que apenas são necessárias modificações no design e não no ajuste das peças, acrescentando que planeia já uma próxima encomenda. «Tentei o método da medição tradicional. É mais pessoal, mas demora muito. Senti que com o 3D consegui medir mais detalhadamente o meu corpo e respetivas formas. Se eu tivesse que ir a um alfaiate tradicional e fazer tudo o que o computador fez, acho que levaria muito mais tempo», revelou Chan.

Gay Giano afirma ser a primeira loja em Hong Kong a utilizar um scanner 3D no negócio dos fatos por medida, ainda que outros alfaiates na cidade reivindiquem, também, tal estatuto, em segmentos como vestuário feminino ou lingerie.

Fora das fronteiras de Hong Kong, os scanners corporais que utilizam a tecnologia 3D também estão a ser usados ​​em cidades como Nova Iorque e Londres.