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A futurologia da moda

A indústria da moda tem conhecido diferentes velocidades que ditam a constante apresentação de novos produtos e compasso de esperas cada vez mais curtos para as expedições, mas também a customização que é, atualmente, a norma, e a pertinência da tecnologia wearable.

O reverso desse prego a fundo revela-se na poluição da água e do ar, no desperdício e em práticas censuráveis em termos de condições de trabalho. O que esperar para as próximas estações?

A moda vive, atualmente, uma dicotomia: por um lado, o futuro assemelha-se algo de maravilhoso, pleno de possibilidades, com a promessa de roupas e acessórios mais rápidos, mais baratos e mais inteligentes; por outro, consubstancia uma iminente ameaça para o meio ambiente, marcada ainda por despedimentos e condições de trabalho precárias. Não obstante, este é um território fértil em mentes criativas, inovadoras e capazes de definir novos rumos e cenários de atuação.

À medida que o ano se esgota, a Racked decidiu pensar na próxima década e indagou designers, CEO’s e outros atores para tentar prever os 10 anos que se seguem nesta indústria que tradicionalmente se assume como imprevisível.

Adam Wray, curador de moda da Redef, espera que a próxima década seja marcada pela oferta de condições de trabalho dignas e técnicas de produção sustentáveis. «Daqui a 10 anos acredito que já tenhamos feito, pelo menos, algum progresso no sentido de eliminar as práticas de exploração laboral e técnicas de produção ambientalmente nocivas», afirma, acrescentando que deseja, também, que os espaços físicos de retalho possam florescer entre a crescente plantação de portais de comércio eletrónico. «Entrar numa boutique com um design marcante e com excelente serviço ao cliente é um grande prazer e seria verdadeiramente triste vê-las desaparecer», refere Wray.

Fern Mallis, criadora da New York Fashion Week e ex-diretora executiva do Council of Fashion Designers of America (CFDA), sublinha a importância destas problemáticas no seio do sector da moda. «Gostaria de conhecer uma indústria verdadeiramente comprometida com a sustentabilidade e o trabalho justo. Com o fim do trabalho infantil e da poluição do planeta», revela à Racked, acrescentando que «gostaria de ver os preços mais realistas e os tamanhos em harmonia com a fisionomia dos clientes».

O responsável pela investida digital na Adidas, Stacey Burr, aponta a direção segundo coordenadas tecnológicas. «Indo muito além do pulso, as roupas vão ser capazes de hospedar trackers, embutidos ​​numa variedade de peças», considerando que isto será «a norma no vestuário» (ver O novo normal).

Por seu lado, Alan Tisch, cofundador e CEO da aplicação móvel de moda (App) Spring, chega até à implementação da realidade virtual. «É um momento emocionante para a moda, à medida que as compras se focam mais na viagem e na experiência e menos no processo de compra. Gostava de ver a moda num lugar onde os clientes e seguidores de uma marca pudessem experimentar essa marca de maneiras que não existem hoje. Quer se trate de tecnologias de realidade virtual ou de passar um dia com um designer – e ser capaz de comprar, sem problemas, o produto através de uma aplicação durante toda essa experiência», advoga.

Jeff Johnson, cofundador e diretor criativo da The Arrivals (marca dedicada à outerwear com venda exclusiva online) sublinha, neste campo, a tecnologia de impressão 3D. «A possibilidade de trabalhar numa indústria em que essas ferramentas são o padrão iria melhorar significativamente a eficiência da indústria e, possivelmente, produzir ideias, produtos e marcas mais criativas no futuro», defende.

Por sua vez, Aurora James, diretora criativa da marca de calçado Brother Vellies aponta o trabalho artesanal como alternativa à fast fashion. «Espero que os dias de fast fashion acabem brevemente e que possamos começar a valorizar novamente o artesanato», explica.

Já Jonathan Cheung, responsável de design na Levi’s, deposita as suas expectativas nos talentos emergentes do design. «Não sabemos o que aí vem, mas acredito que haverá coisas surpreendentes. Há designers incríveis nas escolas de design – já os vi. E daqui a 10 anos vão estar à altura dos seus poderes criativos e mudar as coisas para melhor. Eles são o futuro e nós estamos em boas mãos», conclui Cheung.