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A inclusão está na moda

Seguir tendências já não chega para cativar os consumidores. Corresponder às crenças e exigências tornou-se cada vez mais importante numa indústria em que a procura de 2019 foi marcada por critérios como sustentabilidade e inclusão.

Para a indústria de moda, 2019 foi sinónimo de acompanhar alguns critérios ambicionados pela geração Z. Sustentabilidade, inclusão e economia de partilha estão entre os conceitos que impactaram a moda ao longo do corrente ano.

O relatório “Year in Fashion 2019” da plataforma de pesquisa de moda Lyst concluiu, com base na procura, visualizações de página, métricas de venda de mais de 12 mil lojas online e nas referências das redes sociais, que a mudança de pensamento dos consumidores está a criar um ponto de viragem no mundo da moda, onde os valores e crenças individuais ultrapassam as tendências.

A análise da Lyst constatou que a procura por palavras relacionadas com sustentabilidade aumentou 75% em 2019, o que se traduz num total de 27 mil pesquisas mensais sobre moda sustentável.

No que toca à consciencialização, o denim ocupa a liderança no relatório da Lyst juntamente com as sapatilhas mais sustentáveis. O lançamento de produtos mais ecológicos de alguns retalhistas fez com que estes artigos estejam incluídos na categoria dos mais procurados na plataforma de moda.

NYFW SS2020

Em 2019, a Levi Strauss & Co traçou o caminho na sustentabilidade com a produção de jeans que utilizaram o cânhamo como alternativa ecológica face ao algodão. A Boyish Jeans e a Triarchy Denim, sediadas em Los Angeles, mostraram partilhar desta preocupação da atualidade através da defesa da preservação da água. Mais recentemente, também a Frame criou a primeira coleção-cápsula de calças feitas com algodão orgânico e garrafas de plástico pós-consumo.

Além da aparência dos produtos, os consumidores passaram a estar interessados em materiais ecológicos. A Repreve, uma fibra obtida a partir de garrafas de plástico PET produzida pela empresa Unifi, revelou ser convincente aos olhos dos consumidores em 2019. Marcas como Express, Aeropostale e Devil-Dog Dungarees também destacaram as fibras presentes na composição das suas calças, visto que a procura a partir do material aumentou 130%. O mesmo se verificou com o Econyl, que cresceu 102%, o algodão orgânico (52%) e o liocel (42%).

A forma como os consumidores geriram as compras este ano veio reforçar a mentalidade sustentável vigente na atualidade. O facto de a revenda de artigos de luxo ter aumentado 225%, prova isso mesmo. Já o modelo de negócio de aluguer, avaliado em 91 milhões de euros, tornou-se mais acessível, uma vez que marcas como a Urban Outfitters, American Eagle e Bloomingdales implementaram esta opção.

Responder à diversidade

À medida que os consumidores deram pequenos passos ruma a uma moda responsável começaram a apreender novas noções de género, diversidade e imagem. A análise da plataforma de moda constatou que as pesquisas por moda adaptável cresceram 80%. O mesmo aconteceu com a procura por moda modesta que também aumentou 80%. Os termos “genderless” e “gender neutral” fizeram parte das pesquisas dos consumidores com uma subida significativa de 52%. Exemplo disso é a marca de denim I And Me, que fez parte dos nomes procurados com as painter pants, work pants e slim leg jeans exibidas tanto no género feminino como no masculino.

A Lyst revela ainda que os consumidores mais atentos preferem designers e retalhistas que sigam uma linha correspondente aos valores em que acreditam. Como consequência e em resposta a esta exigência, alguns dos nomes mais relevantes no mundo da moda lançaram campanhas e programas de diversidade com o objetivo de promover a inclusão, um dos conceitos que os consumidores procuram cada vez mais. Em 2019, a Gucci e a Chanel anunciaram novos postos de trabalho ligados à inclusão e diversidade. Em março, a LVMH – Louis Vuitton Moët Hennessy assinou as normas de conduta de negócio das Nações Unidas para combater a discriminação contra a comunidade LGBT.

Só o futuro pode assegurar que 2019 estabeleceu efetivamente uma estrutura de uma indústria de moda mais sustentável e inclusiva. No entanto, o upcyling e a moda de género flexível dominaram as passerelles de várias semanas de moda que viram desfilar as coleções primavera-verão 2020, o que pode ser um indicador de que os consumidores vão ter mais motivos para reiterar estas pesquisas.

Stella Mccartney