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A «inevitabilidade» do digital

Marketplaces, e-commerce, SEO e keywords foram alguns dos conceitos explorados na sessão de informação Norte Digital, com a colaboração do CENIT e da ANIVEC, que decorreu ontem em Vila Nova de Famalicão. Afinal, o negócio digital é o futuro da indústria têxtil e confeção? Esta foi a questão lançada no debate que fechou a sessão.

Manuel Teixeira, Augusto Lima, António Teixeira

Em Portugal, 60% das empresas não têm presença online. Foi para combater este número que surgiu o projeto Norte Digital, da ACEPI – Associação para a Economia Digital, em parceria com outras entidades. O coordenador do projeto, António Teixeira, considera que o facto de 60% das empresas «não existirem» na internet é «dramático». «Já não é possível desprezar o que se passa no online. Queremos alertar as empresas para este fenómeno», sublinhou na sessão.

António Teixeira

A cidade escolhida para acolher o evento, Vila Nova de Famalicão, que se afirma como Cidade Têxtil, não foi alheia ao tema da sessão. Na abertura do certame, Augusto Lima, vereador da autarquia famalicense com a pasta da economia, enumerou os três desafios para o desenvolvimento da indústria na região: a qualificação, a sustentabilidade e a economia digital. «As empresas devem ter o digital em consideração, sem dúvida. É uma questão essencial nas competências dos trabalhadores, para que os recursos humanos acompanhem esta revolução. Não há volta a dar», assegurou.

Já Manuel Teixeira, presidente do CENIT – Centro de Inteligência Têxtil, que moderou o debate final, considerou que as empresas da indústria têxtil e vestuário «terão que ser mais digitais e ainda mais eficientes, investindo em ferramentas digitais como websites, marketing digital, redes sociais, conteúdos digitais e bases dados», exemplificou. «E as empresas com vocação industrial também vão ter que se transformar internamente para serem mais digitais e terem processos de produção e de relacionamento mais automatizados», afirmou.

Digital é o futuro da ITV?

A «inevitabilidade» do digital foi ponto assente na mesa redonda que reuniu João Portela, diretor internacional da Zippy, Rui Godinho de Oliveira, diretor de sistemas de informação da Riopele, e Assunção Esteves, designer da Calvelex, que detém a Fabrics4Fashion.

A Zippy faz parte da Sonae Sports & Fashion, em conjunto com marcas como Sport Zone, Berg Outdoor e MO. «Todas as marcas da Sonae Sports & Fashion estão comprometidas em entrar em marketplaces, que basicamente são plataformas digitais que juntam compradores com vendedores. 66% dos millennials preferem comprar online. Pensava-se que o comércio eletrónico iria beneficiar apenas a indústria eletrónica, mas há cada vez mais gente a comprar moda online», garantiu João Portela. «A tecnologia digital pode dar um empowerment às PMEs e está ao seu alcance», considerou.

Assunção Esteves, João Portela e Rui Godinho de Oliveira

Já o Fabrics4Fashion, da Calvelex, projeto pensado há cerca de 16 anos, «tem vindo a catalogar todos os tecidos que entram na empresa e agora fá-lo no digital», sendo um projeto direcionado a designers e marcas, explicou Assunção Esteves.  A responsável frisou que o digital «é uma atitude» e que é essencial é «encontrar algumas ferramentas e apoios, através de associações». «A transição para o digital é um caminho a percorrer e as empresas vão ter que lá chegar. É uma questão de atitude e tomada de decisão, encontrando os apoios certos para o conseguir fazer. Podemos não ter formação a nível tecnológico, mas a mudança é necessária. Temos que nos abrir culturalmente, porque o digital não é só para as grandes empresas. Está acessível a todos», reforçou.

Fugir ao digital também não foi opção para a Riopele, que aposta na ligação business-to-business e no digital como uma componente interna de otimização de processos, tendo uma infraestrutura tecnológica que suporta o digital. Para Rui Godinho de Oliveira, diretor de sistemas de informação da empresa, «o marketing e a comunicação também são fundamentais. Cada vez mais os compradores são influenciados pelas redes sociais», admitiu. «Hoje em dia, a tecnologia está mais acessível. Há muito ainda a fazer. A cooperação de associações como a ANIVEC e o CENIT, que juntam as empresas para que estas não estejam de costas voltadas, é a solução», assumiu.

Modos de pagamento, transporte e a relação com clientes

Nuno Barata

Ainda antes da mesa redonda que se debruçou sobre a indústria têxtil e vestuário, o destaque foi para plataformas que agilizam o transporte de produtos comprados online ou o pagamento no comércio eletrónico e, também, uma apresentação sobre as potencialidades do digital na ligação aos clientes.

Nuno Barata, country manager na Numatic International Portugal, defendeu a necessidade de produzir conteúdos de qualidade», potenciar as redes sociais e otimizar os recursos humanos. Já Paulo Aleixo apresentou a plataforma Paysafe:cash, que permite pagamentos em dinheiro nas compras online. O country manager de Portugal da empresa revelou que a Pasysafe:cash está presente em 47 países, em 6 mil lojas online, nas quais já foram realizadas 120 milhões de transações.

Paulo Aleixo
Sérgio Matos

Por sua vez, o diretor regional da Chronopost, Sérgio Matos, debruçou-se sobre “Soluções de entregas expresso”. O serviço de transporte conta com uma rede pick-up, que privilegia a entrega em rede de proximidade, escolhendo pontos de recolha convenientes ao consumidor.