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A inovação segundo a A. Ferreira & Filhos

A produtora de malhas está empenhada em dar uma nova face à tradicional indústria de tricotagem. O sofá aquecido, que apresentou na Heimtextil, e o contributo na instalação artística Isoropia, que se encontra na Bienal de Veneza, são alguns dos exemplos.

No início do ano, o regresso da A. Ferreira & Filhos à Heimtextil foi uma das novidades da feira alemã de têxteis-lar, mas a empresa familiar não só voltou a Frankfurt como o fez pela “porta grande”, com a apresentação de um sofá especial que esteve sempre concorrido. «É um sofá aquecido. Quem se senta, depois não quer sair», afirmou Noël Ferreira, administrador da A. Ferreira & Filhos.

O projeto foi concretizado em parceria com o Departamento de Eletrónica Industrial da Universidade do Minho, que desenvolveu o sistema de aquecimento a baixa voltagem. «Mas é o têxtil, a malha, que permite, por exemplo, que crianças saltem em cima dele sem que avarie», destacou Noël Ferreira. A malha é produzida com fio de algodão e um fio de outra matéria-prima que, por questões de propriedade intelectual, está no segredo dos deuses.

Mais recentemente, a A. Ferreira & Filhos chegou às notícias por uma outra inovação, que está em exposição na 16.ª Bienal de Arquitetura de Veneza. A empresa esteve envolvida no projeto Isoropia – que significa equilíbrio e estabilidade –, «um exemplo de inovação colaborativa», como descrevem os seus promotores, um conjunto de entidades internacionais que inclui, entre outros, a Universidade de Artes de Berlim, a Universidade Técnica da Dinamarca, a especialista em design estrutural str.ucture e a Royal DSM, produtora da fibra Dyneema. A estrutura, composta por 41 painéis diferentes, usa malhas tricotadas com Dynema e é 15 vezes mais resistente do que o aço, flutua na água e pode ser o primeiro passo para diferentes utilizações. A A. Ferreira, de resto, já submeteu uma candidatura a um projeto de inovação para desenvolver o projeto para aplicação a arquitetura de interiores.

A inovação da especialista em tricotagem transmite-se, igualmente, nas coleções. «Obviamente que para além de termos coisas bonitas, com pontos diferentes, estamos sempre a pensar em coisas novas», revelou Noël Ferreira. As novas propostas de mantas, por exemplo, contam com matérias-primas mais ecológicas. Algodão, lã e poliéster reciclados fazem parte da oferta, mas sempre com o foco na qualidade. «Não é ainda como queremos, porque o reciclado não se adapta logo de imediato ao mercado, tem constrangimentos: pode não ter um toque tão bom, nalguns casos as matérias-primas têm problemas de mínimos, noutros casos, infelizmente têm problemas de preço, porque algumas matérias são mais caras do que os materiais virgens. Há uma série de constrangimentos que esperamos que, ao longo dos próximos anos, se possam resolver», explicou o administrador.

Atualmente as mantas correspondem a «mais de metade da nossa faturação», que em 2017 ascendeu a cerca de 4 milhões de euros, com o restante a corresponder à produção de vestuário em private label e para a marca própria infantil Wedoble. «2017 foi bom, crescemos um bocadinho em relação a 2016», reconheceu o administrador, que admitiu que «o facto dos têxteis estarem mais em alta, sobretudo, para Portugal, também faz com que, com alguma naturalidade, seja bom para todos».