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A iTechStyle Summit dos especialistas

Diversidade, paixão, pessoas, colaboração, sustentabilidade, digitalização e inovação são apenas alguns dos substantivos que Ana Tavares, Carla Silva, João Oliveira e José Morgado, especialistas do CITEVE, destacaram no balanço da iTechStyle Summit 2022 que fizeram para o Portugal Têxtil.

João Oliveira, Ana Tavares, António Braz Costa, Carla Silva e José Morgado

Aos 11 painéis que estiveram na agenda do evento, onde participaram 43 oradores de oito países europeus, que foram atentamente ouvidos por 550 participantes de 18 países, o Portugal Têxtil, media partner da iTechStyle Summit 2022, acrescenta agora mais um, composto inteiramente por especialistas do CITEVE, a entidade responsável pela organização. Ana Tavares, coordenadora da agenda estratégica para a sustentabilidade e economia circular, Carla Silva, diretora do departamento de química e biotecnologia, João Oliveira, diretor do departamento de transição digital, e José Morgado, diretor do departamento de tecnologia e engenharia, fazem o balanço de três dias de apresentações – onde houve ainda tempo e espaço para a entrega de prémios iTechStyle Awards –. que incidiram em temas como a descarbonização, os novos modelos de negócio, o digital, a sustentabilidade, a evolução dos materiais e as competências para a indústria.

«O que mais me marcou foi a diversidade de apresentações, desde antibacterianos

José Morgado, Gilda Santos, Natália Homem, Cristina Cordas e Sara Rosmaninho

até soluções finais de tapetes multifuncionais. Enquanto há uns anos, quando se falava de inovação, era muito na área dos acabamentos, o que vimos cá é que há inovação da fibra aos produtos finais. E a integração de tudo o que são biomarcadores e eletrónica em têxteis é, de facto, aquilo que é mais marcante em todos os painéis relacionados com os materiais», salienta José Morgado.

Na área da sustentabilidade, Ana Tavares aponta a evolução registada desde as outras iTechStyle Summit em que participou. «Hoje em dia, a palavra sustentabilidade já se desintegrou em muitas outras: na descarbonização, na transparência, na rastreabilidade, nas skills que são necessários para a nossa indústria continuar. A sustentabilidade deixou de ser uma buzzword e desfragmentou-se naquelas questões práticas que são, efetivamente, o que nos vão fazer desenvolver de uma forma mais responsável a nossa indústria», acredita.

João Oliveira, pelo seu lado, sublinha a integração do digital em várias áreas. «Falou-se do digital em muitas mais sessões do que só aquelas que tinham no título digital, o que

João Oliveira, António Rocha, Rodrigo Siza Vieira e Rahel Krause

foi muito interessante. E falou-se do digital sem descer ao vernáculo da tecnologia. Falou-se sempre em digital em contexto – digital em negócio, digital nos skills… – e nunca se desceu aos protocolos, aos bits e bytes, porque, de facto, não é a esse nível que interessa falar», refere, apontando como exemplos disruptivos de modelos de negócio, «amplamente suportados por questões digitais», as apresentações da PlatformE e da Luxclusif.

Já para Carla Silva, «o que mais me marcou foi a vontade que vi na colaboração, na proatividade que temos que ter, ou seja, o comboio está em andamento, é notório, já vai quase a acelerar e temos que ser muito proativos nesta fase. Temos uma oportunidade única, temos um ecossistema fantástico neste momento para fazer essa transição e a vários níveis, isto é, colaboração não apenas entre diferentes entidades, mas também olhando para a indústria de vários ângulos e de várias perspetivas, em termos das competências humanas, em termos das competências digitais, em termos dos materiais novos que temos que trabalhar, das energias e de todas as combinações para conseguirmos chegar a bom porto».

Uma soma maior do que as partes

Mais do que apenas recolher ensinamentos de uma área específica, para estes especialistas é a combinação de várias áreas que constitui a grande mais-valia deste evento. «Ouvir pessoas nas temáticas que são paralelas, por assim dizer, faz sempre descobrir alguns aspetos para que temos que olhar», afirma João Oliveira. A participação na iTechStyle Summit ‘22 evidenciou ainda a ciência por detrás dos têxteis, considera José Morgado, que lamenta a ausência de mais decisores, sobretudo de Lisboa, «que deviam estar aqui a perceber o que é a têxtil, que é muito mais do que os papéis que eles leem. Esta era uma oportunidade boa e única para eles perceberem o que de facto se faz na têxtil e o que é inovação na têxtil», destaca.

E é importante acompanhar as mudanças que se vivem na indústria e no mundo, sublinha Carla Silva, que cita a imagem evocada por Miguel Teixeira, diretor do negócio digital

Ana Tavares, Daniele Spinelle ,Paulo Gonçalves e Carla Silva

da Renault, que participou no painel dedicado às competências. «Esta imagem de que temos que apanhar o barco agora, porque senão a seguir vem uma jangada, depois vem um tronco e depois temos mesmo que aprender a nadar mesmo que a gente não saiba, acho que é este esforço conjunto que tem de ficar e que tem de prevalecer», indica a diretora do departamento de química e biotecnologia do CITEVE.

Já para Ana Tavares, mais do que os aspetos técnicos, são a paixão e as pessoas que fazem mover o sector. «As palavras pessoas e paixão devem ter sido as mais repetidas. Falou-se nisso em todos os painéis, desde os novos modelos de negócio até aos novos materiais, além do das skills, onde já era expectável», lembra. «Acho que isto nos faz pensar que esta pandemia mudou efetivamente as nossas vidas, mas se calhar até para melhor, pelo menos nesta parte de olharmos para as pessoas e para a paixão que temos pelas coisas», acrescenta.

iTechStyle Summit 2023 regressa com reforços

Lisa Lang, Adriana Dominguez, Thomas Gries, Tobias Gröber e António Braz Costa

O evento organizado pelo CITEVE estará de volta no próximo ano e terá a companhia da reunião anual da Plataforma Tecnológica Europeia para o Futuro dos Têxteis e Vestuário, seguindo a sugestão de vários participantes internacionais, revelou António Braz Costa na sessão de encerramento.

A iTechStyle Summit, de resto, tem contribuído para a divulgação de Portugal e da indústria como inovadores ao nível do têxtil e vestuário, realça o diretor-geral do CITEVE. «É o reconhecimento internacional de Portugal como um país inovador, como um país que tem ideias boas e claras sobre a estratégia a seguir e este anúncio que acabei de fazer, que a Plataforma Tecnológica Europeia quer aliar a sua conferência anual à iTechStyle Summit 2023, fazê-la em Portugal, neste edifício, significa que os nossos pares reconhecem o nosso valor e esse reconhecimento ajuda a colaborar no reconhecimento do sector têxtil e vestuário português. Não tenho dúvida que a repercussão internacional da iTechStyle Summit em 2023 ainda vai ser maior», assegura ao Portugal Têxtil.

A equipa do Citeve na despedida da iTechStyle Summit ’22