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A liderança dos super-fornecedores – Parte 2

A globalização da cadeia de aprovisionamento fomentou a capacidade de resposta dos “super-fornecedores” às necessidades e expectativas dos principais retalhistas e marcas de vestuário. O serviço tem-se demonstrado tão eficiente, que mesmo a proximidade ao ponto de venda deixou aparentemente de ser relevante (ver A liderança dos super-fornecedores – Parte 1) De acordo com Helen Mountney, sócio-gerente da KSA no Reino Unido, os próprios compradores têm fomentado a importância dos “super-fornecedores” no mercado: «os compradores também estão a manipular a procura das lojas para garantir entregas frequentes e permitir serviços de elevada qualidade, com a equipa de logística à procura de formas para reduzir custos e o departamento de apoio ao cliente a querer uma redução da pegada de carbono. Isto aumenta a complexidade do aprovisionamento. Embora esta situação possa proporcionar novas oportunidades, a tarefa de ponderar todos os factores e tentar comparar uma fonte de fornecimento com outra, é ainda mais assustadora hoje em dia». Mountney acrescenta ainda que «os super-fornecedores, que estão em contacto diário com uma ampla gama de fábricas em todo o mundo, vão ser capazes de fornecer informações valiosas e remover algumas das incógnitas para ajudar a tomar melhores decisões de subcontratação». Mudança de CMT para FOB Com base nas pesquisas desenvolvidas para a elaboração do guia, a KSA constata uma maior aceleração na tendência de transição do aprovisionamento CMT (Cut-Make-Trim) para FOB (Free On Board), à medida que os retalhistas e as marcas ocidentais são forçados a reduzir a sua própria complexidade, para assim manter os custos baixos e aumentar a flexibilidade impulsionada pela procura. Países sem recursos FOB suficientes, como a Roménia, Bulgária e Ucrânia, vão perder para os países com mais capacidade vertical, como a Turquia, áfrica do Norte e, cada vez mais, o Médio Oriente. Embora a China continue a ser uma forte fonte de abastecimento para muitos retalhistas do Reino Unido, o excesso de capacidade no sector significa que os fornecedores estão muito receptivos a negociações e reduções de preços. No entanto, a KSA diz ser importante que os compradores sejam justos para com os fornecedores e que não forcem demasiado a redução dos preços, correndo o risco de serem responsáveis pelo encerramento desses mesmos produtores e sendo asim forçados a encontrar uma nova fonte de aprovisionamento. Ao comparar o aprovisionamento da China com o da índia, um dos seus maiores concorrentes, a KSA constatou que a China teve uma qualificação mais elevada na qualidade, competência e fiabilidade, enquanto que a índia foi melhor em termos de custos, flexibilidade e rapidez. No entanto, embora o custo e a qualidade continuem a ser factores importantes no processo de decisão para a relocalização ou escolha de novos destinos de aprovisionamento, a rapidez e a flexibilidade continuam a estar no topo da lista. Os padrões sociais são um factor que também tem vindo a ganhar importância. «Independentemente de onde o retalhista aprovisione, a importância de desenvolver relacionamentos fortes com alguns fornecedores estratégicos continuará a ser um imperativo do negócio», acrescenta Mountney. O guia KSA de aprovisionamento global inclui, na sua mais recente edição, quer o sector da moda quer, e pela primeira vez, os bens duráveis. O guia inclui igualmente informações detalhadas sobre 61 países. A percepção sobre a evolução futura do aprovisionamento foi desenvolvida a partir de uma investigação realizada com mais de 120 gerentes de subcontratação de retalhistas e fabricantes de moda europeus.