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A lusofonia da JEF

Inspirada na lusofonia, a JEF começou por ser uma marca de moda masculina, mas rapidamente evoluiu para o sem género. De gama alta, com materiais nobres e pormenores de luxo, a insígnia, totalmente “made in Portugal”, prepara-se agora para a internacionalização.

Carla Maldonado

A JEF nasceu do desejo de José Fernandes, com uma experiência de 34 anos na área têxtil, que «sentia que lhe faltava aquela última pitadinha no topo do bolo para se sentir um homem realizado e com sucesso em todas as áreas em que integra», conta a responsável pela marca, Carla Maldonado.

Direcionada inicialmente para o homem «muito cuidadoso e que valoriza o detalhe e a qualidade», a marca rapidamente evoluiu para o sem género. «Fomo-nos apercebendo que as compras realizadas por senhoras de tamanho XS não eram para os maridos, mas sim para elas. As marcas vão evoluindo de acordo com a recetividade que vão tendo. Esta é a segunda época em que estamos a veicular o sem género, ainda que o porte seja masculino», explica ao Portugal Têxtil.

Transversal e sustentável

Com coleções transversais a todas as faixas etárias, a JEF caracteriza-se pelos materiais nobres e pormenores distintos das suas coleções. Uma das diferenciações é a escolha dos temas, apoiados sempre na lusofonia.

«Esta é a coleção Atlântico para a primavera/verão 2022, inspirada em São Tomé e Príncipe, e fomos buscar os elementos marinhos, o cavalo-marinho, as borbulhinhas por causa do snorkeling. Cada sessão fotográfica é feita em locais que nos façam lembrar exatamente esse país lusófono. A nível de cores aquilo que se pode ver é uma paleta cromática sempre associada ao país de origem, temos muito azuis, verde-água porque vem exatamente do mar, o telha porque é um pantone que se está a usar, o preto e o branco porque são os intemporais e depois estas cores cru que também tem a ver com a inspirações do próprio país mas também porque são cores tendência. E pronto, é isto, é uma história que se conta, é um capítulo que se vai fazendo do livro a cada coleção», descreve a responsável da marca.

Com uma produção nacional, a JEF dá preferência a materiais sustentáveis e orgânicos com certificados como o GOTS. «Temos calções de banho, por exemplo, em Seaqual, um tecido reciclado feito de plásticos retirados do oceano, e sapatilhas também feitas com materiais reciclados, como a casca de arroz incorporada nesta sola», destaca Carla Maldonado.

Ganhar mundo

Com duas lojas físicas, uma no Porto, no Península Boutique Center, e outra no Funchal, a marca conta com uma loja online, através do website, está ainda presente em alguns pontos de venda multimarca «no Norte e estamos a começar a abordagem internacional», revela a responsável.

As feiras Pitti Uomo em Itália e Neonyt na Alemanha são as plataformas escolhidas pela JEF para se dar a conhecer ao mundo. «O norte da Europa é sempre um mercado bastante apetecível porque os nossos preços não são considerados elevadíssimos, mas sim médio-alto. São ainda um público que dá mais importância à sustentabilidade e à qualidade em detrimento do fast fashion», acrescenta.

A JEF está também a trabalhar no reconhecimento de marca, através de parcerias em televisões e influencers. «Queremos que a JEF integre no leque das marcas apetecíveis do mercado», salienta Carla Maldonado.