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A luta ecológica da ITV chinesa

A introdução de um imposto ambiental na China, há cerca de um ano, foi a primeira medida fiscal para combater a poluição no país, mas causou um aumento nos preços na indústria têxtil chinesa, e, por consequência, nos custos para os produtores de vestuário.

Ao just-style.com, vários especialistas referiram que as preocupações em relação aos possíveis encerramentos de empresas, devido aos investimentos tecnológicos necessários para reduzir o impacto ambiental, não se concretizaram. O novo imposto, introduzido em janeiro de 2018, destina-se a empresas e entidades públicas que produzam poluição sonora, atmosférica ou resíduos sólidos e abrange ainda a contaminação da água. O sistema anterior aplicava a mesma taxa a todas as empresas, independentemente do quanto estas poluíam. A nova taxa constitui, deste modo, um incentivo à diminuição da pegada ecológica.

Um investigador sénior ambiental, que pediu anonimato ao just-style.com, afirma que as empresas devem alterar os métodos de cálculo para o novo imposto, já que os valores são agrupados em quatro categorias, reconhecidas como poluidoras, incluindo o ar, a água, o solo e o ruído. Isto, afirma o especialista, gerou «alguma confusão e resultou nalguns problemas na implementação da nova lei». O valor do imposto é determinado e retido por autoridades locais e vem substituir a anterior taxa de descarga de poluentes, cujo montante era enviado para o governo central.

A indústria têxtil e vestuário chinesa está particularmente exposta à medida, já que, de acordo com o Ministério de Proteção do Ambiente, é a terceira indústria mais poluidora no país.

«No último ano, as pequenas empresas têxteis tiveram dificuldades em conseguir obter o financiamento necessário para proceder a melhorias nos seus equipamentos, de forma a ir de encontro aos requisitos exigidos. Portanto, ou encerraram ou estão a deparar-se com dificuldades financeiras. De modo geral, o aumento dos custos associados a estes investimentos tem sido o problema. No entanto, a procura pelo sector têxtil chinês ainda é forte», explica Kerstin Brolsma, analista da China Market Research Group.

Custos adicionais

Sofya Bakhta, analista de estratégia de marketing da Daxue Consulting, aponta que um dos custos suplementares para as empresas está relacionado com o facto de estarem a criar e a apostar em novos produtos químicos, para mostrar aos clientes que utilizam substâncias contempladas pela restrita lista elaborada pela ZDHC Roadmap to Zero Programme.

Na ultimação, os empresários chineses têm investido na estamparia digital, tanto em tecidos e como em embalagens, que, apesar de ser mais dispendiosa, reduz a quantidade de água gasta quando comparada com métodos convencionais. Ainda que esta aposta diminua o valor do imposto a pagar, aumenta os custos financeiros, indica Sofya Bakhta. Não obstante, os fornecedores de corantes têm facilitado o processo. «Empresas como a Huntsman têm desenvolvido linhas de corantes que tingem mais facilmente o algodão, por exemplo, e, consequentemente, reduzem o consumo de água, o que ajuda as empresas têxteis chinesas a evitarem o encerramento», revela a analista de estratégia de marketing da Daxue Consulting.

Há uma probabilidade reduzida de que o aumento nos custos faça com que o governo chinês diminua o valor dos impostos, já que o controlo da poluição foi definido como uma das «três principais batalhas» que a China quer vencer para construir uma economia e uma sociedade financeiramente sustentáveis até 2020.

Esta estratégia implica que a aplicação de leis ambientais, através de inspetores do governo central, irá perdurar. Uma monitorização mais rigorosa das empresas têxteis deve-se parcialmente à Lei de Prevenção e Controlo da Poluição da Água, que foi implementada simultaneamente com a Taxa de Proteção Ambiental e envolve, entre outras medidas, que os agentes governamentais, caso sejam negligentes na forma como controlam a aplicação da lei, percam oportunidades de promoção.