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A magia de Ghesquière

Sob a alçada de Nicolas Ghesquière desde novembro de 2013, a Louis Vuitton assinalou um final de ano positivo e continua a transacionar ativamente, impulsionada por novos produtos e pelo otimista mercado americano, afirmou Bernard Arnault, presidente da LVMH. O departamento de moda e artigos de pele do LVMH, que domina as vendas do grupo, representando mais de três quartos das receitas, viu as suas vendas comparáveis aumentarem 4% no quarto trimestre do ano, uma subida de 2% face aos resultados dos três meses anteriores. «De forma geral, estes são bons resultados, transmitindo a sensação de que a “cura” da Louis Vuitton está a resultar», referiu Lucas Solca, analista da firma de investimento Exane BNP Paribas. «Espero que a coleção de aniversário tenha apoiado as vendas e o movimento nas lojas e “surpreendido” os clientes – como o senhor Arnault disse – é sempre o principal objetivo», acrescentou. Os analistas previram inicialmente uma estagnação das vendas comparáveis alcançadas pela divisão de moda e bens em pele, que contribui em mais de metade para os lucros operacionais do grupo. No geral, a casa de luxo LVMH registou um crescimento de 5% nas vendas comparáveis durante o quarto trimestre, superando as expectativas de cerca de 2% a 3% apresentadas pelo mercado. Bernard Arnault indicou que as marcas Céline e Givenchy continuaram a registar resultados positivos enquanto a rentabilidade da Louis Vuitton se manteve em «níveis excecionais» no decorrer do quarto trimestre, acrescentou sem, no entanto, fornecer detalhes. O lucro operacional das unidades de moda e acessórios de couro cresceu 2%, atingindo os 3,19 mil milhões de euros no ano passado, num movimento contrário ao lucro das operações do LVMH, que caiu 5% para 5,71 mil milhões de euros, impactado por dificuldades no mercado do conhaque e relógios. O desempenho do grupo foi prejudicado por uma queda contínua das vendas de conhaque na China, em tempos o seu mercado de maior crescimento, atingido por medidas de combate à corrupção, bem como pelos tumultos políticos em Hong Kong. O LVMH espera que as vendas de conhaque em território chinês sigam o ritmo de baixa no primeiro trimestre deste ano, para depois recuperarem no final do segundo trimestre e, particularmente, ao longo da segunda metade do ano. Os lucros operacionais da unidade de vinhos e bebidas espirituosas, que incluem as marcas francesas de conhaque Hennessy e de champanhe Krug, caíram 16% no ano anterior e 3% em análise like-for-like. Um outro resultado negativo do grupo revelou-se através da sua maior marca de relógios, a Tag Heuer. Arnault nomeou o veterano da indústria Jean-Claude Biver, diretor da unidade de relógios e joalharia do grupo, tendo em vista a melhoria do desempenho da marca. A reorganização e reestruturação da Tag Heuer tiveram um efeito positivo sobre a casa de joalharia Bulgari, que registou um aumento da sua rentabilidade operacional. Porém, os lucros em operações de relógios e joias do LVMH caíram 23% no ano passado. No mês anterior, o grupo Richemont, proprietário da marca Cartier, revelou que a baixa procura de relógios de luxo em Hong Kong e Macau alterou o padrão de crescimento das vendas no último trimestre do ano, corroborado pela marca de luxo britânica Burberry, que anunciou os impactos negativos desta quebra pontual de vendas em Hong Kong sobre os lucros anuais de 2014. Todavia, as ações do grupo LVMH aumentaram 8% desde o dia 1 de janeiro, depois de um crescimento de mais de 10% em 2014.