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A moda das camisolas

A moda e o futebol talvez pareçam uma mistura estranha, mas com os novos métodos de marketing e com uma nova geração de compradores, sofisticados e exigentes no mercado da moda, os clubes de futebol aprendem a tornar as vendas das suas cores uma mina de ouro.

A imagem do futebol mudou radicalmente durante a última década. Longe vai o tempo em que os clubes só estavam preocupados com o jogo. O lucro ganho com a venda de bilhetes é, muitas vezes, menos importante do que as possibilidades que o nome do clube proporciona. Os clubes agora oferecem divertimento para toda a família, com canais de televisão próprios, hotéis, restaurantes e centros de conferências. E, também, vendem vários artigos com as suas cores em lojas próprias.

Com estas novas pessoas chegam também novos níveis de profissionalismo que são semelhantes às grandes marcas da moda. Estes compradores exigem uma qualidade melhor e avaliam os comportamentos dos adeptos para melhorarem as estratégias de vendas, como é habitual também no mundo da moda. O seu trabalho tem também efeitos nos preços porque preferem a colaboração de profissionais do mercado da moda do que com os antigos fornecedores. Há cinco anos atrás, os clubes compravam a mercadoria a pequenas empresas que, por sua vez, se dirigiam a grossistas, compravam aí o produto-base e, depois, aplicavam as cores do clube. Os preços desta mercadoria eram caros comparados com os que os grandes produtores actuais oferecem. A qualidade era afectada também, alguns clubes tinham mais do que 100 fornecedores, o que tinha como consequência uma oferta fragmentada, com diferentes tamanhos, moldes, cores, etc.. Com os novos fornecedores, isso terminou. Agora a colaboração é melhor e mais intensa e alguns clubes podem criar marcas próprias com a ajuda dos novos profissionais.

Neste momento, a maioria dos clubes em Inglaterra têm volumes de venda constantes e, por isso, estão a tentar descobrir novas áreas de negócios. Também mostram interesse no futebol feminino que é o desporto com mais desenvolvimento nas escolas de Inglaterra neste momento. Até agora os produtos nas lojas dos clubes eram feitos para homens e só havia alguns pequenos artigos para as clientes. Com novos artigos, os clubes tentam aproveitar este potencial melhor. De acordo com o Centro de Investigação de Futebol na Universidade de Leicester, 14% dos espectadores dos jogos da primeira divisão são mulheres, um aumento de 2% em relação a 1997.

Mas, por força de várias circunstâncias, os negócios na área do futebol são especiais. Por exemplo, falta a concorrência comercial entre os clubes. Um adepto não vai comprar uma camisola com as cores de outro clube porque o design, o modelo ou o preço é melhor do que o das camisolas do seu. Alguns clubes na Inglaterra juntaram-se para estabelecer Think-Tanks para melhorar os seus negócios. Há reuniões regulares onde se informam sobre novos produtos, bons fornecedores e sobre a possibilidade de comprarem certos produtos juntos para obterem melhores preços. Mas o comportamento de consumo dos clientes é também especial. O melhor período de vendas é em Agosto, com o começo da época. A quantidade das vendas é directamente proporcional aos resultados da equipa: resultados bons equivalem a boas vendas; resultados maus equivalem a más vendas. Por outro lado, os adeptos representam clientes fiéis que querem mostrar a sua ligação ao clube com as cores e, por isso, com os produtos deste clube. Mas nem por isso aqui também os clientes deixam de ser mais exigentes. Hoje, os adeptos querem as cores, uma boa qualidade e tudo por um bom preço. Quando os adeptos sentem estar a ser enganados, não compram.

O futuro parece bom para os adeptos e para os clubes. Os primeiros vão receber melhores e mais interessantes produtos por um preço melhor e os clubes podem aumentar as suas vendas e baixar as suas despesas. Os únicos vencidos são os fornecedores antigos que não podem concorrer com a nova forma de negócios e com as suas regras. Mas, também, para grandes companhias como a Nike e a Puma, que produzem para alguns clubes, podem chegar tempos difíceis. Devido à maior concorrência, não podem continuar com contratos de exclusividade como acontecia antigamente, em que o seu lema era: “Tudo fornecido por nós ou nada!”.