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A moda dos fios

A Pitti Immagine Filati apresentou os temas principais que vão reger a estação Outono/Inverno 2004-2005. E o contraste é um deles. O espectro das tonalidades varia desde os crus, passando pelos cinzentos ecológicos, os cremes e os castanhos, até aos rosas, amarelos e laranjas – frequentemente com um contrapeso de escuros, que transformam os verdes, azuis e vermelhos em quase pretos, ou os pretos com matizes de vermelho, azul ou verde. Tecidos leves com volume, confortáveis, com um toque ultra-suave e temas tradicionais foram recoloridos e interpretados numa estrutura flexível “encasulada”. Cores contrastantes repercutidas por fios contrastantes. Joga-se muito com o fino e o grosso, o macio e o rugoso, o singelo e o complexo. A aparência de tricotado à mão é muito importante, desde o aspecto de cachecóis colegiais tricotados em casa com cores mescladas como o verde claro e o rosa, até primorosas rendas refinadas. A inclusão de fios de fantasia – alpaca, mohair, coelho – conferem uma aparência e toque exóticos a muitas peças de vestuário, tal como o jogar com laçadas e texturas contrastantes nos ribs ou de diferentes comprimentos nas mesmas peças. O croché volta às luzes da ribalta, o brilho retrospectivo da década de 60 é um tema que seduz desde a alta-costura até a moda da rua. Fios brilhantes foram misturados com o laranja escaldante e o rosa efervescente, que ornamentam singularmente alguns pontos, conjuntamente com um amarelo particularmente radiante. Os criadores ecológicos procuraram uma aparência “velha”, como a da camisola shetland , tão apreciada pelos revolucionários franceses de 68. Algumas caxemiras foram tratadas com a deferência de tempos passados. Zegna Baruffa apresentou finos fios de caxemira – Shamir Ultrafine -, enfatizando o facto de que a matéria-prima pode já ter milhares de anos, mas as novas tecnologias puderam conferir-lhe uma nova dimensão. Os fios de elastano e os acabamentos Teflon foram aplicados em fios de tricot, e particularmente nos fios de lã merino, proporcionando um aspecto “clean” e um toque “stretch”. O Teflon está a ser cada vez mais aplicado em vestuário de malha quer para desbotar a cor, quer para conferir maior solidez a esta. Contrastes de espessura foram visíveis em diversas áreas, apresentados em peças protótipo, as quais ilustravam bem a ampla gama de efeitos potenciais. As caxemiras, sedas, mohairs e lãs merino ultrafinas de Zegna Baruffa utilizam a tecnologia de fiação por jacto de ar para criar ondas delicadas, enquanto que os fios mais grossos para efeitos de cor e de fantasia contrastam com os chinês, os retorcidos em lãs merino ultrafinas, alguns dos quais são fios cardados com um efeito felpudo. A Meeadowbrook Inventions, uma empresa americana que produz as fibras Angelina – que parecem tudo, menos naturais -, veio, pela primeira vez, à Pitti Filati apresentar os seus novos fios para malhas. As fibras macias estão disponíveis em poliéster nas versões iridescente, holográfica e aluminizada, num vasto espectro de cores e de comprimentos de fibras com diferentes títulos, transformadas em delicados fios drapeados para lingerie, fatos-de-banho e malhas finas. A luminosidade, que é uma característica deste Outono/Inverno 2004-2005, é especialmente relevante nas fibras Angelina. A Ingeo, uma fibra extraordinária, completamente reciclável e proveniente de fontes renováveis, está a ser submetida a transformações notáveis nas mãos de alguns designers e fabricantes, como em Itália, onde o engenho, a sensibilidade estética e a competência de empresas, como a Grignaso Group, estão a dar resultados finais que surpreendem até os próprios designers. Não está a ser fiada, tecida ou tricotada em produtos básicos, mas em malhas finas e sedosas, com texturas, padrões e flexibilidade. Na Pitti Filati foi possível apreciar malhas finas e coloridas com uma aparência de seda criadas por Giuliano Marelli. Expositores espanhóis realçaram o efeito de “segunda pele” dos produtos seamless em fina lã merino, viscose acetinada, algodão, poliéster e poliamida elástica. A lã espanhola foi apreciada numa miríade de fios, para chinês, metálicos e bouclês. A Bloomsbury esteve na frente em diversas empresas espanholas, incluindo a Infitex. A inspiração veio talvez do filme “As horas”, assim como da exposição de Art Deco de Londres 2003, que inflamou os espíritos de inúmeros designers por toda a Europa. Em consequência, assistiu-se ao ressurgimento de geometrias brancas e pretas, assim como de Clarice Cliff – tipo laranjas e verdes contrastados com preto, vermelho, azul turquesa e violeta. Cores contrastantes, tom contra tom, em tecidos grossos foram reforçados por três meadas de superfícies multicolores, com nuances esteticamente atractivas, pela Hilados Egarfil. Artigos de fantasia com fios e estruturas combinadas conferiam um aspecto de estado bruto, inacabado. Entre os expositores ingleses, a Todd & Duncan apresentou um novo fio inspirado nas ilhas Fair, Arans e Argyles, com novas cores e torções para a história do tweed. Os fios da SC, comercializados sob a célebre marca registada Knoll, mostraram concertadas tonalidades de lambswool. As misturas da Lambswool & Geelong apresentaram quinze novas cores disponíveis para vestuário de senhora. A J. C. Rennie exemplificou a tendência “super-soft” em quatro novas qualidades de lã.