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A moda dos wearables – Parte 1

Nos últimos 12 meses, as atenções têm estado voltadas para a tecnologia wearable, com considerações sobre quão enraizados estes dispositivos estão na vida dos consumidores e como isso vai levar as marcas e retalhistas a explorarem e reverem as suas opções de envolvimento. Um estudo da empresa de pesquisa de mercado IDC revela que devem ter sido vendidos 19,2 milhões de wearables em todo o mundo em 2014, mais do que o triplo das vendas de 2013. Esse número, contudo, deverá atingir 112 milhões em 2018. A associação com os wearables tem sido particularmente evidente no espaço da moda, em resposta às críticas que lamentam a falta de estilo e atratividade estética em grande parte ligada à maioria dos que estão atualmente no mercado. Essa mudança é necessária para atrair números maiores em termos de adoção. Para estas marcas, contudo, será que o desenvolvimento de wearables serve para aumentar as vendas – procurando um retorno sobre o investimento – ou simplesmente gerar notoriedade e imprensa ao surfar a onda dos wearables? Crescimento da consciência do consumidor As pulseiras de fitness e relógios inteligentes têm sido alguns dos produtos mais falados no retalho em 2014. Os muito falados Google Glass e a chegada iminente do Apple Watch, só para mencionar dois, colocaram os dispositivos wearable no radar dos consumidores em geral em vez de apenas os amantes de tecnologia. Com efeito, as vendas de tecnologia wearable deverão triplicar em 2015, com os consumidores americanos na frente, segundo um estudo publicado em dezembro pela empresa de pesquisa mundial Forrester. Como tal, as principais marcas de moda estão cautelosamente a enveredar pelo espaço dos wearables. A Tommy Hilfiger e a Opening Cerimony lançaram em novembro casacos que carregam a bateria de telemóveis, enquanto a Ralph Lauren lançou uma camisa biométrica – permitindo ao utilizador fazer a medição de diferentes parâmetros físicos – no Open de ténis dos EUA de 2014. Há também uma linha de joalharia de Rebecca Minkoff que notifica o utilizador de chamadas e mensagens de textos; uma linha de acessórios da Tory Burch para acompanhar o dispositivo Fitbit Flex; e uma parceria entre a Opening Cerimony e a Intel para uma pulseira chamada MICA que se centra também em capacidades de comunicação. A Intel também anunciou planos para trabalhar com a gigante italiana de óculos Luxottica para desenvolver óculos com tecnologia, no seguimento da colaboração, no verão passado, de Diane von Furstenberg com os Google Glass. Aproximação com cuidado Os retalhistas falam sobre o enorme potencial para a tecnologia wearable na moda, mas a maioria ainda hesita em fazer investimentos. Daniel Bobroff, diretor de investimento na asos.com, explicou que a retalhista online de moda está entusiasmada em relação ao futuro dos wearables, ao mesmo tempo que deixa uma nota de cautela. «Até agora, o “pequeno segredo” dos wearables tem sido a sua incapacidade de cativar audiência além de um período inicial de utilização de três meses, acabando numa gaveta. Por isso, em vez de seguir a multidão sem objetivos, nós estamos à espera da próxima geração de wearables que seja verdadeiramente moda, resolva problemas da vida real e faça-o através de uma experiência imaginativa e em expansão que sejamos compelidos a usar todos os dias», afirmou. Um estudo da Endeavour Partners no final de 2013 concluiu que mais de metade dos consumidores que têm um monitor de atividade já não usa, com um terço destes a deixá-lo de usar nos primeiros seis meses. Isso resume a principal razão pela qual os retalhistas de moda continuam de alguma forma hesitantes em investir para além de simples experiências – os wearables ainda não são produtos de consumo essenciais. Na segunda parte deste artigo, conheça os benefícios de marketing e o retorno sobre o investimento dos wearables no futuro.