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A moda dos wearables – Parte 2

Os retalhistas e marcas de moda começam a dar os primeiros passos na integração dos wearables na sua oferta (verA moda dos wearables – Parte 1), mas o futuro promete trazer negócios efetivos. Benefícios no marketing Enquanto a Tommy Hilfiger e a Ralph Lauren tenham, quase de certeza, desenvolvido os seus produtos com algumas considerações comerciais em mente, a notoriedade e benefícios de comunicação associados com o alinhar com a onda dos wearables tiveram, sem dúvida, também um papel considerável. Para os retalhistas que procuram criar e comercializar wearables, não tem a ver com retorno sobre o investimento – pelo menos para já. Nem tem a ver com avançar numa categoria de produto. Tem a ver com alinhar a marca com o que atualmente é uma das áreas mais excitantes e inovadoras no retalho, na moda e no design, em termos gerais. Lauren Indvik, diretor da Fashionista.com e um comentador habitual de tendências de tecnologia, considera que «é claro que vender muitas unidades – ou ter um lucro significativo – não é o principal objetivo de muitas colaborações na tecnologia wearable que temos visto nos últimos 12 meses. A Opening Cerimony, por exemplo, fez apenas 100 unidades do casaco que carrega a bateria do telemóvel. O que as marcas beneficiaram foi com um aumento significativo nas notícias nos media (na imprensa especializada, de moda, de tecnologia e até generalista) e uma mudança no posicionamento: muitas são agora entendidas, ou estão a caminho de serem percebidas, como inovadoras». O casaco, alimentado a energia solar, que carrega a bateria do telemóvel desenhado pela Tommy Hilfiger, com a ajuda dos especialistas em energia solar Pvilion, é um exemplo de um retalhista que usa a tecnologia wearable como uma ferramenta de posicionamento da marca, ou exercício, em vez de um esforço consciente para criar uma linha rentável de produtos. O mesmo pode ser dito de Diane von Furstenberg, Rebecca Minkoff, Opening Ceremony e mais. Mesmo a Intel, numa perspetiva B2B, está a criar uma visão de marketing. Tem a ver com testar conceitos e compreender como a tecnologia wearable pode apoiar a filosofia da marca assim como o seu posicionamento. Quando vai chegar o retorno? Como explicado por Daniel Bobroff, diretor de investimento na asos.com, há uma aceitação geral entre os comentadores de tecnologia e moda que os dispositivos wearable têm de se tornar mais atrativos no geral para os consumidores, se se pretender atingir estas metas de crescimento ousadas. Vão precisar de olhar para o que é esteticamente agradável ou útil, ou ambos, para resolver as dúvidas dos consumidores. Opções como ser uma alternativa a um smartphone ou contar passos já não é suficiente. De uma perspetiva de estilo, Bobroff destaca que tem havido muito foco numa audiência masculina. «Ao perceber as necessidades de uma mulher jovem atenta à moda, talvez o sector da tecnologia encontre a chave mágica», afirma. «Para os wearables serem bem sucedidos, precisam de ser algo que as pessoas queiram ser vistas com, um sinal de bom gosto, estilo e estatuto», comenta Richard Cope, consultor sénior de tendências na empresa de pesquisa de mercado Mintel. «Veja-se os Google Glass. Não vão ter sucesso tão cedo porque são vistos como demasiado intrusivos, demasiado narcisistas e demasiado estranhos, quando de facto podem fazer coisas fantásticas e práticas», acrescenta. A adoção por parte dos consumidores irá certamente ser o catalisador para as marcas verem os wearables menos como uma ferramenta de marketing e mais como uma categoria de produto rentável. Muitos comentadores de moda e tecnologia veem o Apple Watch como o motor de mudança mais provável neste sentido, durante este ano. Se o sucesso no passado de entrada no mercado quer dizer alguma coisa: onde vai a Apple, muitos seguem. A Forrester Research espera que a Apple atraia 10 milhões de consumidores para usarem um acessório high-tech este ano.