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A moda e as cidades

Foi, como habitualmente, em Lisboa que os primeiros desfiles do Portugal Fashion para a estação quente do próximo ano viram a luz – não do dia, mas da noite. Primeiro com os novos talentos do Bloom, depois com os reputados Storytailors, a dupla Alves/Gonçalves e a TM Collection. Os primeiros continuaram a explorar a história de Luz, num segundo capítulo de uma viagem pautada por transparências, sobreposições e plissados, onde nem faltaram os coordenados de homem, enquanto a dupla Manuel Alves e José Manuel Gonçalves desconstruiu algumas peças de vestuário para criar uma coleção fácil de usar, em preto e branco, mas também laranja e vermelho, onde tops, saias, vestidos e jardineiras ganharam “polka-dots” e riscas. Teresa Martins optou por peças fluidas e elegantes, em algodão, linhos, sedas e jerseys. Já no Porto, mas no Palácio dos CTT, Susana Bettencourt “realinhou” as suas propostas para o verão 2015 com um confronto entre o craft e o digital, numa coleção marcada pelos tons fortes de verde e por uma mistura de materiais, entre os mais técnicos e os mais nobres. «Colaboro com a LMA e por isso temos malhas com texturas e pontos novos. Depois na parte do jacquard já temos materiais mais nobres, como sedas, e também algodões para tenhamos produto para várias mulheres», explicou a criadora. Estelita Mendonça e Hugo Costa trouxeram um homem moderno e descontraído para a passerelle, Daniela Barros reinterpretou os músculos do corpo humano e Anabela Baldaque mostrou vestidos e saias para uma mulher madura e elegante, onde o romantismo andou de mãos dadas com o espírito boémio. «Acho que a mulher madura é mais arrojada, tem uma atitude mais forte e penso também que hoje em dia uma pessoa que seja mais forte tem de estar preparada para o que der e vier, a começar pela roupa», apontou. No dia seguinte, Júlio Torcato mostrou “17 horas” pouco depois, precisamente, das 17 horas, uma coleção inspirada nos “cockneys” dos anos 70, com silhuetas mais desportivas. «É uma coleção muito gráfica, com muitos padrões, que ao mesmo tempo é clássica, mas penso que nesta estação fomos mais ao ADN da marca, à criatividade, ao facto dela ser alternativa», resumiu. Katty Xiomara “derreteu” padrões geométricos, que se tornaram mais subtis, e misturou o passado e o futuro para uma silhueta criada especialmente para a mulher urbana, enquanto Diogo Miranda foi beber inspiração ao vestuário masculino utilizado nos safaris, que misturou com a estética dos anos 70 e com isso criou looks femininos e sofisticados. No último dia, e no Conservatório de Música do Porto, Luís Buchinho apresentou a sua “Happy Hour” (ver Buchinho incendeia Paris), enquanto na Alfândega do Porto, Carlos Gil surpreendeu, com uma coleção inspirada no ténis, a preto e branco, a que se junta o rosa-pó e pó-azul, numa viagem onde nem sequer faltaram as malas. «Peguei um pouco no clássico, porque considero que o clássico é eterno, mas renovei-o com a imagem que as minhas próprias clientes também procuram, que é algo novo, inovador, fora do comum», referiu. Depois foi a vez do regresso de Nuno Baltazar ao Portugal Fashion, no Mosteiro de S. Bento da Vitória, com uma coleção inspirada no filme “Le Mépris” de Jean-Luc Godard, onde as riscas em preto e branco deram dinamismo a tops e vestidos, mas onde também não faltou os tons fortes, como o vermelho imperial, e o azul-céu. Já Miguel Vieira, também no Mosteiro de S. Bento da Vitória, conjugou a sofisticação dos vestidos de senhora e fatos de homem com os ténis desportivos, adequados ao estilo de vida de hoje, para uma elegância descontraída. O branco foi a cor de eleição do criador, que não se coibiu de usar grafismos nas propostas para homem, com fatos às bolinhas, às riscas e micromotivos. Fátima Lopes encerrou a 35.ª edição do Portugal Fashion, com um desfile onde, além dos coordenados que mostrou em Paris (ver Reinventar os anos 60), estiveram outras propostas, como um top amarelo conjugado com calções brancos curtos e fatos de banho.