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A moda “made in” Malásia

A palavra Malásia evoca imagens de praias tropicais, selvas verdejantes e comida exótica. A moda não fazia, até agora, parte do léxico do país, mas uma jovem designer pretende mudar isso e colocar a Malásia no mapa do sector.

A jovem malaia Cassey Gan era já licenciada em engenharia química quando a sua paixão pelo design a levou até Londres, onde a elite da moda rapidamente reconheceu o seu talento. Em 2012, quatro anos depois de ter concluído os estudos na London College of Fashion, a Vogue Italia destacou-a como um dos talentos mais promissores, ao qual a moda deve estar atenta. Com esse título no currículo, Gan regressou à Malásia, onde lançou a marca epónima.

Em contraste com Londres, explicou à CNN, onde a moda é «um pouco louca», a Malásia é muito mais discreta e rigorosa. Desafiar os malaios a arriscarem para lá das fronteiras do lugar-comum, acrescentou, não tem sido fácil.

«Eu não sou, naturalmente, uma designer louca», afirmou Cassey Gan. «Quero que as pessoas usem a minha roupa e se sintam bem com ela. Tem prevalecido sempre um bom equilíbrio entre a usabilidade e o design».

A Malásia é um país muçulmano, no qual se reúne uma vasta população chinesa e indiana, e Gan vai beber inspiração nas diferentes culturas e religiões no momento de criar vestuário, destinado a um público variado.

Felizmente para Gan, a KL Fashion Week foi lançada há três anos, consubstanciando-se como uma plataforma de lançamento da designer malaia entre os media e os consumidores. «Creio que é uma boa plataforma para jovens designers», reconhece.

Ao contrário de outras capitais da moda asiática, como Tóquio, Kuala Lumpur tem emergido lentamente no cenário da moda. «Creio que, atualmente, várias pessoas começam a perceber que existe valor na arte e no design», diz.

A Malásia tem sido frequentemente considerada um centro de destaque na fabricação de vestuário, mas não no seu design. Estas condições têm beneficiado Gan e outros jovens designers. «É muito fácil para nós se quisermos terceirizar a produção. Não temos de viajar para tão longe como, por exemplo, a China, para produzir a nossa roupa. Desta forma, reduzimos também os nossos custos», explica.

O Sudeste Asiático está em expansão no contexto do sector da moda mundial, aponta Gan. «Vejo muitos designers, jovens designers provenientes da Tailândia e da Indonésia, e o seu trabalho é também muito bom», acrescenta.

Além da presença que detém em território nacional, o vestuário concebido por Gan é vendido atualmente em algumas lojas de Singapura, Taiwan e numa loja pop-up em Pequim. Cassey Gan revela que a sua empresa pretende também chegar a Hong Kong e ao Japão. Mas, por agora, Gan mantém os pés firmes no seu país de origem. «Desde o início, decidi que queria desenhar algo que fosse criado na Malásia, assim como fabricado aqui», conclui.