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A morte fica-lhes tão bem

Death Becomes Her” (“A morte fica-vos tão bem”, em português): o Costume Institute do Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque pediu “emprestado” o título do filme para uma nova exposição que explora os laços entre a moda e o luto. A exposição está aberta ao público até 1 de fevereiro no recentemente renovado e rebatizado Anna Wintour Costume Center. Através de algumas dezenas de vestidos, joalharia, chapéus e jornais da altura, a exposição retrata uma era em que os europeus e os americanos tinham de se limitar a padrões rígidos no que diz respeito a fazer o luto. Mas nem tudo na exposição é triste. Intitulada “A morte fica-lhes tão bem – um século de vestuário de luto”, a mostra conta também a história de uma jovem viúva que fica livre das obrigações do casamento e, a partir de então, pode ser cobiçada por outros homens. «O preto é sedutor e as jovens viúvas, vivas e em carne e osso, com o seu sorriso maroto e a lançar olhares por baixo dos seus véus negros, são muito sedutoras», podem ler os visitantes num livro americano sobre o decoro em 1855. «Para muitas mulheres, era uma forma de expressar as suas emoções. Elas realmente sentiam que as suas roupas de luto traduziam o seu desgosto interno», explica a curadora-assistente da exposição, Jessica Regan. Outras queixavam-se sobre a monotonia ou o custo de um guarda-roupa completamente preto, que podia lentamente dar origem a cinza e malva monocromático, assim que a dor começava a passar. Cetins mais opulentos, tafetás e veludo podiam ser usados mais tarde, mas eram considerados demasiado sumptuosos para o período inicial de luto. A exposição não podia ficar completa sem um vestido de 1894/1895 da Rainha Vitória, a viúva mais famosa do século XIX, que chorou a morte do seu marido durante 40 anos. Os vestidos mais impressionantes são, contudo, os usados pela sua nora Rainha Alexandra, em seda preta e malva, com lantejoulas, usados após a morte da Rainha Vitória. Organizada por ordem cronológica, com vestidos desde 1815 a 1915, uma grande parte das peças apresentadas vem da própria coleção do Costume Institute. Dois coordenados da Escócia são um empréstimo do Victoria and Albert Museum em Londres. A tradição americana de fazer o luto foi muito inspirada em Inglaterra, que segue a Corte Real. O luto podia durar dois anos para um marido, um ano por um pai ou mãe e seis meses por um irmão ou irmã. Foi também um século no qual o luto ficou mais na moda, um sinal de sofisticação e de elegância, com o corante negro a ser dispendioso. Um mundo completamente diferente do de hoje. «Penso que, para a nossa geração, a morte é extremamente discreta», explica Harold Koda, curador do Institute. «Vivemos numa era onde não tivemos uma crise onde tenhamos perdido uma grande quantidade de pessoas que nós conhecemos», enfatiza. «Simplesmente não aconteceu», conclui.