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A nobreza da Chua

Não tem sangue azul, deixa as cores para as pinturas dos mais pequenos, mas tem coroa e, em Terras de Sua Majestade, soma já 40 tronos. A marca portuguesa Chua nasceu há três anos, com uma loja online, e está prestes a abrir as portas de um espaço físico, no Porto.

«Tivemos um showroom e, entretanto, sentimos a necessidade de ter um espaço aberto ao público e, nesse espaço, vamos centralizar tudo: escritório, showroom e loja», explicou, na edição de abril do Jornal Têxtil, Olímpia Teixeira, designer e cofundadora da Chua, ao lado de Cristina Neves.

A marca, que tem no mercado inglês o seu principal repositório, inclui na sua gama roupas e acessórios para bebés a partir de 0 meses até aos graúdos de 16 anos. «Podemos dizê-lo agora», admitiu Olímpia Teixeira, acrescentando que «quando a marca nasceu, a ideia foi trabalhar dos 0 aos 8 anos. Só que depois havia modelos que as crianças de 8 anos, mais desenvolvidas, não conseguiam vestir… houve a necessidade de nos adaptarmos ao crescimento das crianças, começámos a abrir exceções e as exceções tornaram-se em pedidos reais».

Depois de crescer em tamanhos, a Chua começa agora a crescer em mercados. «2015 foi um ano de expansão para a marca, o ano em que mais cresceu», revelou Olímpia Teixeira, destacando ainda a entrada na Turquia e nos EUA, já no arranque do corrente ano.

«O investimento que temos feito em marketing tem sido em relação às feiras, que é o que nos traz mais retorno», adiantou, por seu lado, Bernardo Gomes, sales representative da Chua, e, assim, entrou a marca na Children’s Club, em Nova Iorque.

Olímpia Teixeira realçou ainda a particularidade da chegada a esta feira. «Muitos dos visitantes eram clientes judeus e tivemos algum receio – “como é que este género de roupa vai ao encontro dos seus gostos?” – mas surpreendeu-me pela positiva. Estrategicamente, decidi levar o mesmo modelo e trabalhá-lo em diferentes linguagens para ver em que grupo se encaixava melhor», explicou ao Jornal Têxtil, «e eles preferiram os tons mais escuros», observou, acrescentando que conseguiram agentes para «manter e ajudar a Chua a crescer naquele mercado».

A par de Nova Iorque, o portefólio de feiras da marca inclui já Londres, Itália e brevemente Paris, «para tentarmos entrar no mercado francês», reconheceu Olímpia Teixeira.

Com um efetivo de seis pessoas, a jovem marca trabalha, sobretudo, com lojas, boutiques e concept stores, enquanto «o consumidor final representa, talvez, nem 10% das nossas vendas», revelou Bernardo Gomes, destacando, a par de Inglaterra, pontos de vendas na Rússia, Mónaco, Holanda, Luxemburgo, Bélgica, Itália e nos EUA, mercado «que vai receber a coleção de outono-inverno 2016/2017».

Sobre esta última, pintada a amarelo mostarda e tons cinza, Olímpia Teixeira destacou as «malhas de excelente qualidade». E, se o ano passado «foi positivo, com muita coisa para aprender e melhorar», como resumiu Olímpia Teixeira, a matemática não se mostrou disciplina difícil para os garotos da marca “made in Portugal”, que teve um volume de vendas «na ordem dos 200 mil euros», concluiu Bernardo Gomes.