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A nova montra da Ásia

Seul emerge como a nova montra do continente asiático, num momento em que empresas de luxo proeminentes à escala mundial procuram beneficiar da tendência de definição de popularidade regional da cultura pop sul-coreana.

Hong Kong, Tóquio e Singapura pertencem ao passado. O mercado asiático de rápido crescimento é uma força motriz essencial à indústria de luxo global. Isso não se deve a um mero acaso. As compras efetuadas pelos consumidores chineses representam um terço das vendas globais, de acordo com a consultora de mercado Bain & Company.

E esses consumidores inspiram-se, frequentemente, noutros lugares, motivo pelo qual diversas marcas estão, cada vez mais, focadas no país descrito pela Bain como o «definidor de tendências para a moda e sector de luxo» no continente asiático.

No ano passado, as casas de moda de liderança global investiram na Coreia do Sul, numa tentativa de alcançar esses nativos asiáticos afluentes que valorizam as sugestões de moda das figuras populares de televisão e da cultura pop sul-coreana.

A titã do luxo francês Chanel apresentou a coleção cruise 2015/2016 em Seul, no passado mês de maio – a sua primeira apresentação na Coreia do Sul. E, em junho, a Christian Dior inaugurou uma flagship de seis andares – a maior da Ásia – no bairro afluente de Gangnam, popularizado pelo hit musical homónimo do rapper sul-coreano Psy. O grupo de luxo LVMH, que detém a casa Dior e Louis Vuitton, deu um passo suplementar, investindo diretamente na próspera indústria do K-pop de Seul.

Barómetro regional
Em agosto, a L. Capital Asia – o ramo de fundos de investimento do grupo LVMH – comprou ações no valor de 80 milhões de dólares da YG Entertainment, uma importante agência de K-pop. Esta transação converteu o gigante de luxo francês no segundo maior acionista da YG, cujo rol de agenciados inclui Psy, G-Dragon e a boysband BigBang.

«As empresas de luxo globais começam a perceber que o que é popular na Coreia do Sul, em breve, se tornará popular em toda a Ásia», afirma Lie Sang Bong, proeminente designer de moda e diretor do Conselho de Designers de Moda da Coreia. Lie revela que as marcas de luxo, que anteriormente favoreciam Hong Kong e Singapura como núcleos centrais dos seus negócios na Ásia começaram a ponderar Seul, uma tendência que se tem vindo a acentuar nos últimos três anos.

A influência da China como um ditadora de tendências acabará por acompanhar a sua importância enquanto mercado mas, por agora, «Seul é onde procuram a próxima grande tendência», aponta Lie.

Suzy Menkes, crítica de moda reverenciada, escolheu Seul como anfitriã do próximo ano da segunda edição da Conferência Anual de Luxo Condé Nast International. «Eu creio que (as marcas de luxo) consideram este país como um hub, esta cidade, em particular, como um hub, ao qual as pessoas se dirigem e compram coisas», justificou Menkes.

Vaga coreana
A atração efetiva para as marcas é o alcance promocional deste núcleo e o seu reflexo no restante continente asiático, em resultado do denominado Hallyu (“Onda Coreana”, em português) de programas de televisão e música pop coreanos.

O poder do fenómeno Hallyu foi recentemente demonstrado pela série de televisão de sucesso, produzida em 2014, “My Love from Another Star”, que se revelou imensamente popular na China.

O modelo de sapatos Jimmy Choo – avaliado em 625 dólares – usado pela heroína do programa, Jun Ji-Hyun, esgotou nas lojas de calçados em toda a Ásia, enquanto um batom Yves Saint Laurent, que rumores afirmavam ter sido usado pela atriz, experimentou uma tendência semelhante na China.

O rapper G-Dragon – um ícone de estilo seguido por milhões de fãs em toda a Ásia e media sociais – é considerado um produto do boom Hallyu. Os seus artigos favoritos, dos casacos Yves Saint Laurent ao calçado Christian Louboutin, reúnem reconhecimento imediato entre os seus seguidores e são discutidos em dezenas de sites dedicados ao estilo de artistas de K-pop.

Os programas de televisão coreanos revelaram-se também um dispositivo de marketing impressionante para a indústria de cosméticos, de acordo com um relatório produzido em maio pelo Euromonitor.

Vender beleza
Os produtos de beleza que figuram em programas de destaque ou favorecidos pelos seus intérpretes despertam uma «vertiginosa procura por produtos de cosmética relevantes e produtos de cuidados da pele» noutros países asiáticos, especialmente na China, revelou o relatório.

E não são apenas as marcas estrangeiras que estão a beneficiar da exposição na montra sul-coreana. Os produtos da AmorePacific revelaram-se um grande sucesso na Ásia, levando a Dior a formar uma parceria estratégica com o gigante coreano de cosméticos.

Kate Ahn, representante da empresa britânica de pesquisa de consumidor Stylus, em Seoul, refere que a Coreia do Sul se converteu, efetivamente, num “trampolim”, no qual as marcas de luxo testam o sentimento do consumidor no mercado asiático. «É um país pequeno, mas um ponto de partida perfeito para explorar o mercado chinês», afirma Ahn, revelando ter sido bombardeada com propostas de empresas europeias e americanas que pretendem investir em fabricantes de cosméticos em Seul nos últimos anos. «Eles ainda querem investir em empresas de cosméticos relativamente pequenas, pouco conhecidas, porque sabem que muitas mulheres asiáticas, especialmente chinesas, estão a acompanhar de perto as tendências de beleza em Seul», conclui.