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A nova vaga da moda sustentável

Este ano, os estudantes de moda e design do Amsterdam Fashion Institute e o portal de tendências WGSN uniram forças para desenvolver 12 looks com o objetivo de promover e explorar a apropriação da moda no território do denim. Embora existisse uma expectativa muito grande torno do design inovador em termos de silhueta e conceito, as soluções de design sustentável foram um fator crucial.

Kim van Den Brules

Ao longo de quatro meses, os 12 estudantes selecionados mergulharam no azul do denim, procurando tendências, analisando técnicas e experimentando silhuetas e materiais. Agora, depois de meses de trabalho dedicado com a orientação do WGSN e de alguns parceiros da indústria, incluindo a Candiani, ZDHC e Archroma, foram revelados alguns dos looks que representam a visão da nova vaga do design de moda sobre o futuro do denim sustentável.

Juris Efneris

Juris Efneris

Para Efneris, o objetivo do desafio proposto pelo WGSN foi adicionar uma nova dimensão às peças de vestuário, torná-las mais valiosas para o utilizador e trabalhar da forma mais sustentável possível. «Além disso, queria romper com os estereótipos do denim nos meus designs, desafiar as fronteiras do denim», acrescentou.

Esta vontade resultou em coordenados multifuncionais – cada peça pode ser usada de diferentes formas – que combinam referências do denim tradicional com influências do vestuário desportivo e detalhes de alta moda.

A pesquisa e experimentação foram, afirmou Juris Efneris, fundamentais para o processo. «Quis ver e entender como funciona o denim, como age e reage a certos tratamentos, por exemplo, e como as técnicas de construção podem moldá-lo», apontou.

Jordy Goussey

Jordy Goussey

«Com esta coleção, explorei os limites da força masculina no menswear, inspirando-me nas estrelas do rock masculino, como David Bowie», revelou Goussey sobre a inspiração das peças, que ganharam uma estética intemporal. «Para mim, o potencial do denim é infinito na esfera da moda, especialmente quando é trazido para o domínio da alta-costura e da confeção por medida», explicou.

Goussey explorou técnicas clássicas de alfaiataria e acabamentos de alta-costura num tecido denim de cor preta fornecido pela empresa Candiani.

Kim van den Brule

A coleção “Playful Harmony” de Kim van den Brule justapôs um arquétipo ultrafeminino à imagem do denim cru.

«O meu objetivo foi jogar com essas convenções, usando referências do vestuário em combinação com cores ousadas e materiais atípicos», esclareceu.

Marie Lamberechts

Marie Lamberechts

«A minha coleção é inspirada por jovens idiossincráticos com uma atitude liberal em relação à moda e ao vestuário que não estão preocupados em “enquadra-se”», admitiu Lamberechts.

Por isso, as propostas da jovem designer resultaram em silhuetas arrojadas, tecidos pesados e cores fortes, depois compensados com detalhes subtis e refinados. As referências de denim tradicionais foram intersetadas por elementos desportivos como o fecho das roupas de mergulho.

«Como designer, não tenho apenas a responsabilidade de me concentrar em expandir o léxico criativo do denim, mas também de transformá-lo num produto sustentável», defendeu.

Merel Pruijsen

Merel Pruijsen

A coleção de Merel Pruijsen procurou transmitir a mensagem de que a moda é, afinal, um meio para expressar identidade, valores e visão. «A minha coleção é um apelo à capacitação», resumiu. A sustentabilidade é, para Pruijsen, fundamental. «Limitei a minha coleção ao uso de apenas dois tecidos de denim, produzidos de forma sustentável pela Candiani, e organizei o meu padrão de corte para que gerasse o menor desperdício possível», adiantou sobre os looks que canalizavam uma espécie de mulher maravilha.

Rik Westerman

Rik Westerman

«Quis reformular a imagem do homem de negócios tradicional, combinando alfaiataria tradicional com influências de vestuário desportivo e adicionando mais cores ao repertório masculino em geral. Além disso, pretendi criar um visual arrojado e simplificado que poderia ser adaptado rapidamente a diferentes situações», confessou Rik Westerman.

Seguindo este quadro conceptual, as peças mostraram-se multifuncionais: em teoria, o fato permite fazer caminhadas – ou mesmo corridas – até ao escritório. O casaco, por exemplo, é formal mas mantém uma vibração urbana graças ao denim.