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A nova vida da Labrador

Um antigo cliente saudoso e um grupo deslocado do seu core business decidiram dar uma segunda oportunidade a uma marca de vestuário de 25 anos. José Luís Pinto Basto, CEO do The Edge Group, surpreendido com a falência da Labrador, foi a hasta pública e comprou a marca. Verdadeira fénix, a primeira loja reabriu em 2013, logo com resultados positivos e os voos da internacionalização estão já em agenda.

«A Labrador é uma marca portuguesa, atualmente com 25 anos de vida, que sempre se distinguiu pelo serviço de exclusividade e atenção ao cliente. Eu próprio era cliente da marca e fui surpreendido com a decisão do seu encerramento», começa por explicar, ao Portugal Têxtil, José Luís Pinto Basto, que com Jorge Mira, sócio na génese da Labrador, é acionista da empresa que hoje detém a marca.

O core business do The Edge Group é o ramo imobiliário, pelo que o sector do vestuário «sai fora das áreas tradicionais» de investimento do grupo e, «quando fomos convidados pelo antigo BES a licitar a marca, avançámos com uma proposta cautelosa. Sabemos hoje que a marca tem um valor muito superior àquele que pagámos, mas a verdade é que não esperávamos ganhar», revela o CEO.

Para José Luís Pinto Basto, a marca nacional de acessórios e de vestuário de homem representa «confiança para um consumidor exigente que procura qualidade e exclusividade», por isso, o The Edge Group tem vindo a reconstruir a empresa original, começando pela reabertura da loja no Centro Comercial Amoreiras, em Lisboa, nas Galerias Península, no Porto, e mais recentemente no Centro Vasco da Gama, na capital, em abril. A abertura de uma quarta loja em Lisboa está agendada «ainda para 2016».

«As nossas lojas estão situadas em locais privilegiados, próximas do nosso público-alvo e, naturalmente, que a retoma do consumo e a reconquista da confiança dos clientes habituais e novos consumidores da marca» têm contribuído para um regresso «bem-sucedido», afirma José Luís Pinto Basto, que recorda que a Labrador chegou a ter seis lojas em território nacional antes de encerrar. «Desde que assumimos a marca que prevemos no nosso plano estratégico repor esse número de lojas em Portugal, o que consideramos ser o adequado para satisfazer o nosso público- alvo», explica. De acordo com o CEO, cada loja tem um custo de investimento na ordem dos 300 mil euros, «entre obras de fit-out, mobiliário e stock inicial».

Nas mãos do The Edge Group, a espinha dorsal da Labrador não foi tocada, até porque, para o CEO, não se justificaria uma intervenção na oferta. «A Labrador é uma marca premium que sempre se distinguiu pela excelência do serviço, estilo e bom gosto, atenção ao detalhe, qualidade das matérias-primas e pelo facto de ser fabricada em Portugal», pelo que «acreditamos que estas características são fatores críticos de sucesso da marca e, como tal, não fizemos alterações nem ao conceito nem aos produtos», refere ao Portugal Têxtil.

Os números da segunda vida da marca são positivos desde a reabertura da primeira loja. «Em 2014 faturámos 1,1 milhão de euros, 1,5 milhões em 2015 e para 2016 estimamos uma faturação de 2 milhões de euros. Tem sido um crescimento acima de 30% ao ano», indica o CEO.

Na equipa, também pouco foi mexido. A Labrador conta com 30 colaboradores e cerca de 90% são antigos funcionários da marca, «o que nos dá grande satisfação», sublinha José Luís Pinto Basto, acrescentando que cada nova abertura de loja «exige um reforço da equipa em cerca de 6 a 8 colaboradores».

Com a qualidade da confeção “made in Portugal” como força-motriz, tecidos adquiridos em Inglaterra e Itália, cortes de qualidade, padrões exclusivos, uma coleção muito completa, serviço de alfaiataria à medida e oficinas de costura, José Luís Pinto Basto considera que as peças Labrador transitam entre «o dia-a-dia e ocasiões especiais». Os fatos da marca têm um leque de preços entre os 500 e os 600 euros, as gravatas situam-se entre os 70 e 80 euros e os sapatos Labrador rondam os 200 euros.

Depois de abertos os pontos de venda em território nacional, o futuro da Labrador passa pela internacionalização. «Ambicionamos levar a Labrador além-fronteiras, até porque acreditamos na qualidade do produto e na sua capacidade para competir com marcas internacionais noutros mercados», reconhece o CEO, ainda que a prioridade seja «a consolidação da marca no mercado português» e a aventura fora de portas não seja «prioridade em 2016», apesar de estar contemplada na estratégia da Labrador para os próximos anos. A aposta na expansão internacional deverá passar por grandes armazéns e lojas multimarca, «pelo menos numa primeira fase».

As feiras internacionais e a aposta no comércio digital – ainda em 2016 e que representa um investimento de 100 mil euros – estão, também, no horizonte da marca. «As feiras são uma boa oportunidade de darmos a conhecer a Labrador internacionalmente e encontrarmos os parceiros adequados para cada mercado», admite José Luís Pinto Basto.