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A nova vida da Mind

A empresa tecnológica inaugurou novas instalações em Santa Maria da Feira, numa estratégia que reforça a sua aposta na área dos equipamentos industriais.

Como é que uma software house se transforma numa fornecedora de equipamentos para a indústria? A Mind, que inaugurou sexta-feira última novas instalações em Santa Maria da Feira sabe a resposta a esta pergunta.

«Temos uma componente de hardware, que não somos nós que produzimos, resultado de uma parceria com uma empresa suíça, a Zund, para o mercado nacional e para o mercado chinês. Vendemos as soluções completas e, neste acordo com a Zund, temos autorização para poder vender as máquinas juntamente com o software que incorporamos», explicou, ao Portugal Têxtil, Vítor Duarte, diretor desta unidade de negócios.

A Mind, totalmente portuguesa, foi fundada nos anos 90 e a sua «essência», sublinhou o gestor é «na componente de software. Foi aí que nascemos, crescemos e que continua a ser a base do nosso trabalho». A empresa alia os equipamentos de corte, a maioria dos quais comprados no âmbito da parceria com a Zund, à sua experiência em software para os customizar de acordo com a vontade de vários clientes industriais.

«Temos um portfólio bastante abrangente de soluções, que se direciona para diferentes secções de mercado, desde a indústria do calçado até a indústria têxtil, bem como automóvel», revelou Vítor Duarte.

O grupo tem apresentado os seus produtos em feiras nacionais internacionais, como por exemplo a Maquitex e a Texprocess, respetivamente. «Temos desde máquinas que podem custar 70 a 80 mil euros até equipamentos que chegam aos 300 mil euros, nomeadamente para a indústria automóvel. Fazemos uma gama muito ampla e variada de preços, porque também temos várias soluções em termos de dimensão de máquinas e conceitos», apontou Vítor Duarte.

A Mind tanto vende para empresas grandes como pequenas e conta na sua carteira com clientes bem conhecidos na área têxtil, como a Crialme, a Petratex, a Pedrosa e Rodrigues ou a CRS. Mas os equipamentos da empresa – que estão em exposição nas novas instalações –, versáteis e com várias funções, são, por isso, ideais para fábricas mais pequenas, em que não há fundos disponíveis para investir em muitas máquinas.

Na área automóvel, a Mind conta com «vários equipamentos vendidos no mercado nacional e um grande cliente de referência com sete produtos de grandes dimensões para a indústria automóvel. Depois estamos a criar algumas grandes referências no mercado internacional, na área automóvel. Vendemos todo um conjunto de máquinas e a componente de software que as complementa para a Bentley, por exemplo, e para a Faurecia», adiantou o diretor

Além disso, a empresa também fornece sistemas CAD. Vítor Duarte referiu que, nesta área em específico, a Nike é um dos clientes da Mind. «Quase todos os anos temos o desenvolvimento de soluções específicas e customizadas à medida para este grupo, para fazer face ao que quer, e depois temos outros projetos desta dimensão que nos colocam num patamar diferente», esclareceu.

Com uma faturação da ordem dos seis milhões de euros, a Mind já tem 60 a 65% do seu volume de negócios na área dos equipamentos e software para a sua utilização.

Entre os vários mercados em que a empresa está direta e indiretamente, a China começa a assumir-se como uma das principais apostas. «Temos lá uma filial nossa, com recursos próprios. Acabámos de vender uma solução que vamos instalar agora na Faurecia China. Começámos com as componentes CAD e alargámos a nossa presença à indústria automóvel e da pele, num segmento mais abrangente do que o calçado», contou Vítor Duarte. «Ainda que na China haja clones das máquinas europeias, na verdade não é a mesma coisa e as empresas vão crescendo na cadeia de valor. Os seus processos têm que ser cada vez mais exigentes e vão percebendo que não conseguem satisfazer as suas necessidades e de um conjunto de empresas lá no topo da pirâmide», reconheceu.

Entre presenças próprias e parcerias com a Zund, a Mind está presente um pouco por todo o mundo.