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A paixão segundo Anabela Baldaque

Dedicada à moda há 30 anos, Anabela Baldaque encontrou um público fiel para as suas criações de norte a sul do país, das mais novas às não tão jovens. Uma paixão que se mantém ainda hoje e que leva a criadora a ponderar novos desafios, como o sonho de concretizar uma linha de lingerie.

«Já faço roupa há 30 anos. Hoje voltava a fazer o mesmo curso. Gosto imenso do que faço», garantiu Anabela Baldaque e esse, não tem dúvidas, é um dos segredos da sua carreira. «Quanto mais paixão existe, mais o negócio acontece. Não quero ficar rica, nem é o meu conceito de marca», afirmou, num artigo publicado na edição de abril do Jornal Têxtil (ver O negócio da moda). «Mas quando se faz com paixão, as pessoas apercebem-se que não é só um casaco que está ali. Há ali dedicação, há ali trabalho, há também um bocado de arte», explicou.

A designer começou a desenhar roupa há três décadas e desde 1998 que tem loja aberta na Foz do Porto. Acompanhou a evolução da moda em Portugal e sentiu, finalmente, uma mudança de mentalidade junto também dos consumidores nacionais.

«Os portugueses, cada vez mais, gostam de ter roupa portuguesa. Começa a haver uma cultura portuguesa de criadores. Nos desfiles, as pessoas querem mesmo ir com uma peça Baldaque ver o desfile e há oito anos não era assim – as pessoas iam com marcas estrangeiras», revelou a designer. Hoje, «tenho clientes que misturam as minhas peças com outras internacionais, o que quer dizer que há bom casamento. Há um bom mercado cá dentro», sublinhou.

A marca epónima é marcada pela feminilidade e pela intemporalidade, com as peças que saem com a etiqueta Anabela Baldaque a primarem pela conjugação de diferentes materiais, uma área a que dá muita importância.

«Vejo peças minhas de há 10 ou 15 anos em clientes e são intemporais. É um ADN meu. Mesmo as coisas simples, lisas, normais acabam por funcionar bem no guarda-vestidos. As pessoas dizem-me “eu desfaço-me da casa, mas não me desfaço dos seus vestidos”», contou a criadora de moda.

A idade também não conta, com os seus designs a vestirem avós, mães e filhas. «A roupa não tem idade, o que faz a idade é a atitude da pessoa», acredita.

No entanto, a marca é «de nicho», direcionada para quem procura exclusividade. «Em termos de qualidade, preço e design tenho um alicerce muito forte, por isso existo há 30 anos no mercado», reconheceu.

Além da coleção, que é apresentada no desfile no Portugal Fashion, «de 15 em 15 dias fazemos sempre peças novas. Acho que é o verdadeiro luxo, as peças são quase exclusivas», referiu ao Jornal Têxtil.

Dentro e fora

Embora o mercado nacional represente a maioria das vendas (80%), há também clientes estrangeiros a procurar peças assinadas por Anabela Baldaque, que em 2015 desfilou em Espanha (ver Bons ventos de Espanha).

«Eles gostam de exclusividade e de levar uma coisa que não existe no país deles, nem existe na rua deles», apontou.

A fama do “made in Portugal” tem também contribuído para este aumento da procura internacional. «Tivemos um ponto de venda na Dinamarca e outro na Bélgica e queriam que a minha etiqueta por dentro tivesse o “made in Portugal” mas com mais força. Isso mostra que o “made in Portugal” é uma mais-valia incrível. Penso que não é só devido ao design. O têxtil português, de forma geral, é muito bem acolhido», admitiu.

Apresentar um bom produto, a um preço justo, tem sido o mantra que tem regido o negócio de Anabela Baldaque, que trabalha com uma equipa de quatro pessoas, a que se juntam vários subcontratados, quando necessário.

«O facto de ter trabalhado para fábricas deu-me alguma noção. Acho que adquiri alguns conhecimentos através da indústria que fizeram que eu, como criadora individual, realizasse melhor esse trabalho de gestão. Uma empresa tem de ser sustentável e isto não deixa de ser uma empresa», destacou.

Reconhecendo a importância das redes sociais e da Internet, um site de venda online está em análise, embora não conste, para já, da «agenda», admite a designer. Mas com «muita capacidade para me reinventar», Anabela Baldaque tem feito incursões noutras áreas, com parcerias na área do calçado com a marca Paulo Brandão, nomeadamente para a mais recente coleção, batizada “Império dos Sentidos”, que vai beber inspiração ao Nepal, à Rússia e à Índia, repleta de pormenores e diferentes materiais, como folhos, estampados e rendas (ver Portugal Fashion abraça mudança). «Penso que as parcerias são o futuro. Não podemos estar sozinhos, temos de estar sempre de mãos dadas com alguém», acredita.

Com os primeiros meses do ano a abrirem as perspetivas para «um grande ano», o projeto para o futuro – que continua na gaveta – passa pela linha de lingerie. «Já ando há algum tempo a “trabalhá-la”. Ainda não fiz nenhum contacto, nem tenho grandes desenhos, mas volta e meia fico a pensar “era capaz de ser giro”», revelou ao Jornal Têxtil.