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A pirataria que se cuide

Cinco marcas de luxo (Prada, Gucci, Louis Vuitton, Burberry e Chanel) conseguiram uma importante vitória contra a pirataria na China, conseguindo que o célebre Mercado da Seda de Pequim as indemnize com 13 mil dólares (cerca de 10.700 euros). Ainda que possa parecer pouco comparado com a compensação de 240 mil euros que haviam pedido as cinco empresas, a decisão supõe uma vitória simbólica no coração da pirataria internacional. O Mercado da Seda era até ao Verão passado uma pequena rua onde se apinhavam bancas de roupa falsificada, mas foi desalojada pelas autoridades chinesas como prova do compromisso de Pequim contra a pirataria. A zona onde se assentavam os postos de venda foi derrubada e no seu lugar foi construído um moderno edifício de vários andares, com o mesmo nome do Mercado da Seda, onde desde o primeiro dia se voltou a vender marcas pirateadas. Agora, um tribunal chinês referendou os direitos das marcas ocidentais, ao considerar que o mercado de roupa e acessórios não respeitou as leis sobre propriedade intelectual. Trata-se, dizem os peritos, da primeira sentença emitida na China contra este tipo de vendedores de mercadorias falsificadas, que proliferam em todo o país e que têm os turistas ocidentais como um dos seus principais clientes. Os grandes nomes da moda sabem que há muito em jogo. Fontes do Departamento de Comércio dos Estados Unidos asseguram que as marcas internacionais perdem por ano cerca de 50 mil milhões de euros no mercado chinês. Além disso, a falsificação não tem limites, e deixa a sua marca tanto em DVD’s de filmes que chegam às ruas antes que os filmes façam a sua estreia nos cinemas, como em software, roupa, relógios de marca ou bebidas alcoólicas. Os representantes das multinacionais de luxo dizem que a sentença é «um bom começo» e pode servir para que na China «os direitos de propriedade intelectual se passem a encarar com maior seriedade».Parece que Pequim está decidido a mudar essa imagem. Desde o início da campanha contra a pirataria na China em Julho de 2004, foram investigados 6,77 milhões de negócios e 283 mil mercados, tendo sido encerrados mais de seis mil estabelecimentos que vendiam cópias e 158 pessoas foram julgadas e obrigadas a pagar 46,5 milhões de dólares (38,5 milhões de euros) de indemnizações.