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A ponte milenar do Armazém dos Linhos

A obra de atualização de um dos negócios mais icónicos da cidade do Porto só poderia ter sido concretizada às mãos das irmãs Leonor e Filipa Pinto Basto. Arquitetas de profissão, acabaram por se apaixonar pelo têxtil, transportando o Armazém dos Linhos para o novo milénio.

Nascido em 1905, no número 15 da rua de Passos Manuel, no Porto, o Armazém dos Linhos dedicou longos anos à reprodução de tecidos estampados com desenhos tradicionais portugueses. Porém, em 2011, o Armazém preparava-se para fechar portas, à falta de continuidade. Leonor e Filipa não deixaram e, leitoras da história do negócio querido aos portuenses, decidiram acrescentar-lhe um novo capítulo.

A ideia central do projeto passou por recuperar os padrões das chitas de Alcobaça, desenhos que hoje fazem parte da cultura popular, através da reprodução de antigos padrões e da procura de novas e contemporâneas aplicações para esses tecidos.

«Acabámos por aplicar as chitas em mais áreas de decoração, aplicámos também numa linha de cozinha, com aventais e toalhas de mesa, na área da moda, onde se aplicaram os tecidos em carteiras e malas de viagem, acabando inclusivamente por se dar outro acabamento aos tecidos, uma impermeabilização que não existia», explica Leonor Pinto Basto ao Portugal Têxtil.

O primeiro ano foi também de remodelação e adaptação do espaço da loja aos novos tempos – na altura não havia sequer uma máquina registadora, era tudo feito à mão.

«Não tinha quase nada informatizado, tivemos de atualizar a loja, mas não perdeu o seu cariz de loja tradicional», ressalva Leonor Pinto Basto.

Chitas à moda do Porto

A loja é a porta de entrada para a produção e, claro, ponto de passagem obrigatório para os muitos turistas que visitam a cidade Invicta.

«Temos ainda a vertente turística da loja. Ao longo destes tempos, com o aumento do turismo do Porto, sente-se que os turistas adoram e são os mais entusiastas neste projeto, porque levam imensas recordações com os nossos tecidos, carteiras, por exemplo. Por isso, era quase uma obrigação cívica manter este espaço aberto», sublinha Leonor Pinto Basto.

A produção levou as duas irmãs a explorarem a marca própria, Armazém dos Linhos, em tecidos para confeção de criança, outra das vertentes de negócio, cuja capacidade produtiva ronda dos 5 mil metros de tecido por mês.

Com um efetivo de 7 pessoas, a viagem ao milénio passado pode também ser feita através da rede, até porque o Armazém dos Linhos já tem loja online.

«Acho que assim é mais fácil estarmos acessíveis a pessoas que não estejam cá no Porto. Muitos turistas contactam-nos a seguir, muitas pessoas das ilhas contactam-nos através do website», admite.

Atualmente, Colômbia, Qatar, Canadá, Inglaterra e Alemanha são alguns dos destinos de exportação, «sobretudo para produto acabado» do Armazém dos Linhos, que «tem vindo a crescer 20% ao ano», segundo Leonor Pinto Basto.

No futuro, os planos passam pelo fomento das exportações e podem incluir a abertura de uma loja em Lisboa, antecipa ao Portugal Têxtil.