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A primavera dos tecidos

Os clássicos de sempre, onde se incluem algodão, lã, denim, malhas, seda e materiais sintéticos marcam presença nas coleções para a próxima primavera-verão. Mas a estação quente de 2017 faz-se também com matérias-primas diferentes, dos leves tules aos pesados vinis, peles e até pelos.

Os desfiles de moda internacionais, de Nova Iorque a Paris, mas também nas passerelles portuguesas, revelaram que os designers estão cada vez mais atentos aos desenvolvimentos de novos materiais e apostados em surpreender os consumidores com tecidos e malhas menos habituais.

Para a próxima primavera-verão, os tecidos leves como tule, associados ao ballet e ao vestuário infantil, deram um ar romântico ou misterioso às propostas para a primavera-verão 2017. Com cores claras, o tule foi usado em peças curtas para um look romântico ou boémio, como na Chloé, ou em minissaias volumosas usadas sobre calças justas na Jacquemus. Dino Alves usou o material em blusas e vestidos, com múltiplas cores.

Já o tule em tons mais escuros foi aplicado em peças longas para um efeito de transparência, como visto na Christian Dior e na Saint Laurent, canalizando um tom mais rock n’roll. O tule marcou ainda presença no desfile da Rochas, adotando um aspeto mais colorido, assim com nas coleções da Giamba e da Hood by Air.

Em claro contraste com o tule, o couro e o vinil foram duas das estrelas da estação, para looks claramente rock. Dos sobretudos a vestidos, passando por tops e casacos curtos ou longos, gabardines e calças, nenhuma peça do guarda-roupa feminino escapou à tendência. A cor predominante foi o preto, embora algumas marcas tenham usado cores e metalizados, como no caso de Luís Buchinho, que aplicou o material em casacos. A Saint Laurent mostrou vestidos em couro assimétricos, a Courrèges usou o couro em tons mate em casacos, a Sonia Rykiel optou por saias compridas com botões em caqui e azul meia-noite e a Dior utilizou couro em tops e saias. Versus Versace, Jeremy Scott, Louis Vuitton, Salvatore Ferragamo e Bottega Veneta também optaram por couro para a coleção. Já o vinil foi uma opção da Lanvin e da Topshop Unique, assim como da Kenzo e de Luís Carvalho, que usou malhas com efeito vinil para abrilhantar a coleção que apresentou na ModaLisboa.

Os brilhos metálicos e o lamé prometem dar mais luz às noites de verão, para um ambiente futurista, rock n’roll e ultrafeminino. Os tecidos lamé foram usados sobretudo em vestidos, mas os designers revelaram igualmente saias, calças e casacos com o material. A tendência cresceu consideravelmente para a primavera-verão 2017 em comparação com a utilização anterior do tecido em pormenores e detalhes. A Saint Laurent mostrou um vestido com pregas e novos efeitos de textura, a Wenda Nylon colocou o lamé em vestidos, saias, casacos e calças e a Balmain e a Elie Saab usaram o lamé dourado para um efeito glamouroso e festivo.

Os materiais sintéticos, por seu lado, estão a ser cada vez mais usados pelos designers, dando um toque de streetwear e sportswear a várias peças. A poliamida foi usada pela Anne Sofie Madsen, em sobretudos tipo capa, na Stella McCartney, numa parka oversized e calças largas, e na Versace, com uma vibração sportswear. Já a Givenchy transmitiu um estilo masculino/feminino com um conjunto de casaco e calças em poliamida em preto. A Aalto optou por criar vestidos e jumpsuits no material. Os tecidos técnicos marcaram uma presença forte nas passerelles portuguesas, quer pelas mãos da dupla Alves/Gonçalves, quer nas propostas de Diogo Miranda e Ricardo Andrez.

Apesar da estação ser quente, o pelo fez uma aparição premente nas coleções. Golas e casacos multicoloridos de pelo marcaram as propostas da Miu Miu, uma tendência a que a Fendi também aderiu, assim como a Prada, que colocou pelo nos sapatos.