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A queda do ouro branco

A potencial queda de 20% nas exportações indianas de algodão será maior do que a queda de quase 6% estimada para este ano, resultado da mudança na política chinesa, do aumento no consumo de algodão na Índia e de um surto nas exportações de fios, segundo referem os organismos oficiais. Os mercados mundiais de algodão têm estado atentos à medida que a China abandona um esquema de armazenamento no âmbito do qual acumulou mais de 10 milhões de toneladas da fibra – cerca de 60% dos stocks mundiais de algodão. «As exportações indianas de algodão têm caído anualmente e não vamos ser capazes de exportar mais de 7 a 7,5 milhões de fardos em 2014/15», revelou M.B. Lal, diretor executivo da Shail Exports e ex-presidente da The Cotton Corporation of India. O ano algodoeiro do país vai de outubro a setembro. A China, o maior importador de algodão do mundo, é responsável por absorver mais de 60% do total das exportações de algodão cru provenientes da Índia. Os restantes 40% têm como destinos o Bangladesh, o Paquistão e o Vietname. A Índia, o segundo maior produtor e exportador de algodão do mundo, vendeu um total de cerca 8,2 a 8,5 milhões de fardos até agora em 2013/14 e este valor deverá crescer para cerca de 9,2 a 9,5 milhões de fardos até setembro. Devido aos ciclos de colheita, a grande maioria das exportações ocorre normalmente durante o primeiro semestre do ano algodoeiro indiano. A nação exportou 10,1 milhões de fardos no ano 2012/13, tendo ultrapassado os 12,9 milhões de fardos no ano anterior. A China importou em fevereiro 147.317 toneladas de algodão da Índia, uma queda de 20% em relação ao mês anterior. Pequim anunciou em janeiro que iria eliminar a acumulação de stocks de algodão, experimentando em vez disso os subsídios diretos aos agricultores. «Os compradores chineses reduziram significativamente as suas compras na Índia ao longo dos últimos dois meses, na medida em que aguardam por uma maior clareza sobre a política do algodão no seu país de origem», explicou Rahul Jitendra Shah, diretor-executivo da Acme International. Numa tentativa de acelerar as vendas dos stocks, a China baixou, no início de abril, o preço mínimo estatal de venda. Enquanto isso, o consumo de algodão cru por empresas indianas subiu para os 25,8 milhões de fardos em 2013/14 a partir dos 25 milhões de fardos no ano anterior, devido à crescente procura dos fabricantes de têxteis na sequência dos sinais de recuperação revelados pela economia global. «No próximo ano de colheita, o consumo das fábricas está previsto atingir os 30 milhões de fardos», estima Arun Kumar Dalal, comerciante de algodão de Ahmedabad no estado de Gujarat. No ano 2011/12, a procura das fábricas totalizou os 22,3 milhões de fardos. Por outro lado, as expedições indianas de fios deverão aumentar cerca de 10% no exercício de 2013/14, segundo fontes locais, reprimindo ainda mais a procura no exterior por algodão cru. Alguns compradores chineses têm intensificado as compras de fios para evitar o aumento dos impostos sobre as importações de algodão cru.