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A química certa

O mestrado em Química Têxtil tem vindo a atrair muitos dos licenciados em engenharia têxtil, sendo igualmente uma das áreas de atuação do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T) da Universidade do Minho, quer na investigação fundamental, quer na aplicação em contexto industrial.

Responsável pelo mestrado em Química Têxtil, Pedro Souto tem promovido o ensino desta área de conhecimento aquém e além-fronteiras, num caminho que inclui igualmente diversos projetos de investigação. Juntamente com Andrea Zille, investigador sénior do 2C2T, Pedro Souto gere uma equipa de cerca de 15 investigadores, envolvidos nos mais diversos projetos de investigação, alguns dos quais em doutoramento (ver Novos materiais avançados). «São 15 cabeças e 30 mãos. Trabalho muito em termos de objetivos, não em termos de horas de trabalho. Isso facilita o trabalho dos meus alunos e o trabalho dos investigadores», acredita Pedro Souto, formado em Química pela Universidade de Coimbra.

Entre as áreas com maior atenção conta-se a nanotecnologia, onde Pedro Souto, Andrea Zille e os seus investigadores têm estado a estudar mecanismos de fixação de nanopartículas de prata.

«As nanopartículas de prata têm uma grande vantagem em termos da sua aplicação, mas depois temos os inconvenientes da não fixação. Portanto, se conseguirmos fixar as nanopartículas de prata estamos a fazer um dois-em-um: estamos a fazer com que tenham as propriedades que todos esperamos obter delas – a parte bactericida, fungicida, etc. – e, ao mesmo tempo, conseguimos fazer com que elas, ao ficarem fixadas no produto, aumentem o ciclo de vida do mesmo», aponta Pedro Souto.

O projeto europeu Plasmatex tem sido outro dos focos dos investigadores. «Desenvolvemos aqui a redução plasmática de nanopartículas para controlar a aderência das nanopartículas a um tecido», explica Andrea Zille).

Pedro Souto

Mas a investigação desenvolvida nesta unidade centrada na química têxtil não se fica pela investigação fundamental, estando igualmente direcionado para a aplicação em contexto industrial. Exemplo disso é o desenvolvimento de cristais nanofotónicos que está a ser alvo de interesse por parte de uma empresa internacional de produtos químicos. «Neste momento também estamos a tentar negociar outro processo de tingimento a fim de criar um produto completamente “verde” para tingir o algodão cru e manter o aspeto do algodão cru, mas com um tingimento perfeitamente uniforme», revela Pedro Souto ao Jornal Têxtil (novembro 2017. Este processo recorre ao tratamento de plasma e também já garantiu o interesse de uma empresa portuguesa de produtos químicos. «Atualmente, estamos a avançar um pouco mais, com o tecido cru, tingido com corantes reativos e depois a seguir fazemos uma pequena limpeza do material, sem ser uma fervura. Acaba por ser uma bio-fervura – utilizamos enzimas para remover parte da cutícula, ficando na mesma as cascas, e mantemos o produto tal como ele é, um produto “verde”», adianta ao Jornal Têxtil.

Andrea Zille

Pedro Souto esteve ainda envolvido num projeto com a Somelos Tecidos para criar um tecido bi-elástico (ver Somelos Tecidos sob o signo da inovação) e, juntamente com Andrea Zille, é professor-colaborador no mestrado de engenharia têxtil na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Foi igualmente do Brasil, mais precisamente da Amazónia, que trouxe a fibra celulósica curoa, cujos desenvolvimentos estão a ser realizados com a Inovafil, depois de um projeto aprovado no âmbito do Portugal 2020 que começou em outubro. «É uma fibra que pode competir com o linho», acredita Pedro Souto, que destaca ainda as credenciais ecológicas e sociais da fibra, atualmente usada apenas em compósitos, uma vez que é plantada por comunidades indígenas no leito lamacento do Amazonas quando o rio desce.