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A química da sustentabilidade

Urbanização, saúde e bem-estar e sustentabilidade. O grupo Solvay, do sector químico, elegeu estas três megatendências como guia para um plano alargado que transforme o negócio da poliamida 6.6, em que o grupo atua, num segmento mais ecológico.

Daniela Antunes, coordenadora estratégica do grupo Solvay, deu conta, durante o iTechStyle Summit (ver As megatendências do negócio têxtil), das iniciativas que estão a ser colocadas em prática pela multinacional de origem belga e que passam por apostar em produtos que promovam estes eixos.

«Em 2030, o mundo vai ter 41 megacidades. Um estudo brasileiro diz que as pessoas estão dispostas a pagar mais para ter produtos que se limpam facilmente», afirmou Daniela Antunes. O grupo Solvay está, assim, a promover um produto, denominado Biotech, que reduz a proliferação de bactérias, a partir de uma base de prata.

Trata-se um fio de «alta tenacidade, com resistência à abrasão e durabilidade», adiantou a coordenadora estratégica. Estas propriedades são conferidas às fibras na sua fase de extrusão, o que lhes proporciona um carácter permanente.

Na área da saúde e bem-estar, o grupo apostou na marca Emana, que incorpora uma tecnologia que permite que as fibras usadas, por exemplo, em leggings emitam raios infravermelhos que melhoram a microcirculação. «Começamos a medir benefícios estéticos, redução de celulite, entre outros, comparando uma perna com a outra e percebemos que até os bebés podiam usar», revelou a responsável da multinacional.

No que diz respeito à sustentabilidade, as tendências atuais apontam para uma procura cada vez maior dos consumidores por produtos fabricados por empresas com práticas sustentáveis. Nesse sentido, o grupo Solvay desenvolveu a marca Amni Soul Eco, um fio de poliamida biodegradável. «Quando se deita fora e acaba num ambiente de aterro degrada-se porque é comido por bactérias. Mas nos armários mantém-se em boas condições, só começa a destruir-se em ambientes sem oxigénio, como os aterros», explicou Daniela Antunes. Este material degrada-se em cinco anos, face aos 50 que normalmente demora um fio de poliamida tradicional.

Tudo isto contribui para alimentar a estratégia da multinacional de origem belga para o futuro. «O grupo Solvay tem um compromisso com a sustentabilidade, não só com a ambiental. Até 2025, a nossa meta é duplicar o número de empregados envolvidos [em iniciativas nesta área]. Há ações que a empresa patrocina e outras que os empregados fazem por conta própria», destacou Daniela Antunes.

Fibras sintéticas que se degradam rapidamente, promovem a absorção de determinados compostos pela pele e previnem o aparecimento de bactérias provam, em suma, que o grupo Solvay está a trabalhar para ser cada vez mais sustentável.