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A realidade digital da Gerber

Com a revolução digital da moda em curso, a Gerber Technology realizou o seminário “Digitalization for fashion – hype or reality? Why it’s time to embrace your digital reality!” na feira Texprocess, em Frankfurt, onde mostrou as novidades que permitem uma integração dos sistemas, do design ao corte da peça para produção.

É o tema do momento e a Gerber Technology, sempre a acompanhar a evolução do mercado e até a antecipá-la quando possível, organizou um painel na passada terça-feira, no dia em que a Texprocess abriu portas (ver Texprocess aposta no digital), para debater a digitalização e a forma como a indústria têxtil e vestuário está a lidar com esta nova realidade, num evento que contou com a intervenção de Leonie Barrie, editora do just-style.com, Michel Byvoet, fundador e CEO da Douëlou, Michael Ernst, diretor do VirLab-Virtual Laboratory e professor de desenvolvimento de produto têxtil na Universidade Niederrhein, Peter Santora, vice-presidente da SoftWear Automation (ver Robots em saldo), e Karsten Newbury, vice-presidente e diretor-geral de soluções de software na Gerber Technology.

«Uma das coisas que os clientes nos estão sempre a pedir é “como faço com que os meus produtos cheguem ao mercado mais rapidamente”, quer seja do ponto de vista do design, quer da produção», revelou Bill Grindle, diretor de marketing, na introdução do evento, pelo que a «ideia da digitalização é um tema recorrente para os nossos clientes», que estão a «analisar como é que podem integrar a digitalização nas suas operações», explicou.

Em declarações ao Portugal Têxtil, o diretor de marketing da Gerber afirmou que, embora, «todos os nossos clientes estejam num ponto diferente, quer estejam ainda a fazer moldes em papel ou estejam completamente automatizados no processo, toda a gente está a abraçar o conceito de que têm de analisar como digitalizar os processos físicos». Uma área onde, apontou, a Gerber Technology pode fazer a diferença. «As nossas soluções e a confiança que transmitimos à indústria durante muitos anos pode ajudar os nossos clientes a estarem mais conscientes de onde estão nesse processo e a abraçarem a sua própria realidade digital, a viagem que precisam de fazer para digitalizar os seus processos, eliminar custos em processos físicos e substituí-los com tecnologia digital e soluções digitais».

Mohit Uberoi, o novo CEO da Gerber Technology – que substituiu Mike Elia desde o passado dia 5 de maio –, acredita também que a empresa que agora lidera «será uma valiosa parceira para os nossos clientes, agora e no futuro», até porque «a Gerber tem ótimo hardware, ótimo software e, acima de tudo, tem ótimas pessoas». Na Gerber Technology, acrescentou, «percebemos as pressões que os nossos clientes sofrem em termos de margens, rentabilidade e concorrência», pelo que a empresa quer usar a sua notoriedade de marca e o seu conhecimento para criar soluções integradas, desenvolvidas a pensar nas necessidades, atuais e futuras.

Soluções integradas

Nesta edição da Texprocess, que decorreu em paralelo com a Techtextil (ver Há vida em Frankfurt), a Gerber Technology mostrou as suas soluções digitais, incluindo os mais recentes lançamentos do YuniquePLM, o software de gestão do ciclo de vida do produto, assim como o AccuMark 3D e AccuPlan – versões que chegarão ao mercado no início de junho –, a que se somam as soluções de estendimento Gerberspreader XL e de corte Gerber Paragon.

«A novidade aqui é a integração, que tem vindo a ser otimizada. Tentamos sempre integrar os sistemas de modo a automatizar processos, desde o design inicial até à peça cortada no final por uma máquina Paragon. É nesta integração que temos vindo a evoluir», destacou, ao Portugal Têxtil, Francisco Aguiar, diretor comercial para os mercados indiretos EMEA e Portugal.

E nesta onda da digitalização, afirmou Francisco Aguiar, Portugal está na linha da frente. «Portugal não está propriamente atrasado em relação ao digital, pelo contrário. Em termos de indústria, sendo uma referência a indústria da confeção, e falando da Europa para não falar do mundo, Portugal, como um país produtor, está, obviamente, à frente», garantiu.

Prova disso, se necessário fosse, é que a primeira venda que a Gerber Technology fez na Texprocess, logo no primeiro dia da feira, foi precisamente para uma empresa portuguesa. A Jorge’s Confecções, que emprega 310 pessoas e se dedica à produção de casacos para homem e senhora, fechou a compra em Frankfurt de um sistema de corte Gerber Paragon HX, o segundo que implementa na sua linha de produção. «Vai permitir ter mais qualidade no corte e precisamos porque, devido à produção que temos, uma máquina só não chega», justificou, ao Portugal Têxtil, Joaquim Jorge, a segunda geração à frente dos destinos da empresa familiar de Penafiel. «Temos que nos adaptar aos dias de hoje. A concorrência é cada vez mais forte, por isso temos de ser mais produtivos e ter mais qualidade. Para o cliente é cada vez mais importante a qualidade e os prazos», sublinhou.

Como admitiu Francisco Aguiar, «para a realidade de Portugal temos assistido a um aumento dos pedidos de produção, portanto, se conseguirmos que uma empresa produza mais, que é o objetivo e é a necessidade que vejo em Portugal, acho que é por aí o caminho. É esta realidade que oferecemos aos nossos clientes: produzir mais». Os sistemas integrados permitem «um retorno do investimento mais rápido: espera-se melhoria de processos, espera-se menos intervenção humana, portanto, menos mão de obra e tudo isso traduz-se em produtividade, obviamente, e menos custos», resumiu o diretor comercial da Gerber para os mercados indiretos EMEA e Portugal.