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A receita da Barcelcom

A especialista em meias e mangas de compressão graduada começou pelo sector da saúde, mas já chegou ao futebol, à F1 e até ao ballet, num “pas de deux” entre investigação e comercialização.

Pouco consideradas pela ciência, as meias que calçam os pés antes dos sapatos ganharam estatuto de produto inovador pelas mãos da Barcelcom, que cedo procurou estabelecer parcerias com universidades portuguesas e estrangeiras para incorporar tecnologia num produto que tinha já sucumbido à moda. A posterior presença na Ispo teve um efeito de contágio no sector e propulsou o negócio a níveis que a tradição nunca levaria. «A Ispo é uma feira onde se pode avaliar tendências, percebe-se quem está a fazer o quê, estão presentes os grandes players no desenvolvimento de tecnologia de fibras e fios, o que para nós é extremamente importante. Acho que também potencia acordos de complementaridade entre fabricantes, que é uma coisa que normalmente não se pensa nas feiras», aponta Gaspar Sousa Coutinho, CEO da Barcelcom.

No já incontornável salão para a empresa, a produtora de meias colocou novamente o foco na tecnologia BB-Vein, que permite a libertação de medicamentos por via tópica e o seu recarregamento. «Os primeiros investimentos que fizemos em termos de inovação foram na área da saúde, com o apoio de médicos da área vascular e do CeNTI», explica o CEO ao Jornal Têxtil.

Em destaque esteve também o projeto Electrosocks, com recurso à eletroestimulação para recuperação mais rápida de lesões musculares e desenvolvido em parceria com a Plataforma Fibrenamics da Universidade do Minho, criada por Raul Fangueiro.

«Trata-se de um projeto que começou a ser investigado em 2015 e agora chegou a fase de colocar o produto no mercado. Já temos algumas marcas interessadas em potenciar esta comercialização, que é a etapa mais difícil», revela Nuno Mota Soares, diretor de projeto e negócio da Barcelcom.

Com uma produção anual de três milhões de pares de meias, a empresa – que fechou 2017 na ordem dos 2,5 milhões de euros, face aos 1,9 milhões do ano anterior –, fez as primeiras experiências em meias de compressão graduada para a saúde nos anos 90.

Mais de 20 anos passados, a Barcelcom continua não só a desafiar-se mas também a aceitar desafios.

Do Royal Ballet no Reino Unido, para o qual produz collants de compressão graduada, aos pilotos de F1 Nico Rosberg e Lewis Hamilton, que usaram meias específicas desenvolvidas pela Barcelcom em 2016 – ano em que a Mercedes e Rosberg se sagraram campeões e o piloto daria assim por terminada a sua carreira –, passando por vários clubes da Premier League e sem esquecer a equipa das Quinas nos seus treinos, os produtos da Barcelcom chegam hoje a mais de 30 mercados.

«Todos os nossos artigos, mesmo para a área do desporto, são considerados dispositivos médicos. São certificados. Isso para o cliente é uma vantagem muito grande», reconhece Nuno Mota Soares.

Atento às inovações da Barcelcom tem estado, particularmente, o mercado escandinavo, onde a empresa duplicou as vendas. «Foi um crescimento espantoso», sublinha o CEO. «Os escandinavos já perceberam que o sedentarismo é perigoso do ponto de vista da circulação de sangue e o consumo de meias de compressão graduada nos países nórdicos subiu brutalmente e passaram a ser um produto de moda», refere. No ano passado, as meias de compressão graduada da Barcelcom entraram também na grande distribuição em Portugal. «Já há alguma sensibilidade por parte das grandes cadeias. Comercializamos atualmente dois modelos [na grande distribuição], um para a Sonae e outro para a Auchan», afirma Gaspar Sousa Coutinho.