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A revolução das malhas na TMG

No universo da TMG Textiles, as malhas estão a ganhar um renovado protagonismo. A aposta da empresa nesta área envolve já 130 pessoas, entre a tricotagem, a confeção e os acabamentos, mas os objetivos são continuar a crescer, reforçando o investimento na peça acabada e na apresentação de uma coleção própria.

As malhas não são uma novidade na TMG Textiles, como realçou Sandra Gonçalves, administradora da empresa e, desde há quatro anos, diretora deste negócio de cruzar laçadas. «As malhas sempre existiram, um bocado dedicadas a um cliente exclusivo, durante muitos anos», explicou ao Jornal Têxtil, num artigo publicado na edição de março (ver Vestuário dá corda às exportações). Agora, contudo, a estratégia é afirmar esta vertente no mercado. «Estamos a tentar focalizar-nos em determinados clientes, queremos ser os melhores camiseiros de malha», acrescentou.

A equipa ainda é pequena, mas dedicada, assegurou Sandra Gonçalves. No total, estão envolvidas 130 pessoas, com 60 consagradas à confeção, 30 aos acabamentos e as restantes 40 à tricotagem. A parte comercial é realizada em conjunto com a área dos tecidos. «De 2014 até agora mudámos de Ponte de Lima, a equipa mudou, mudámos tudo. Trouxemos o “core”, mas não tem sido fácil. Achava que quando chegasse a Famalicão ia ter uma equipa de costureiras fantástica, mas há um estigma muito grande e foi difícil», confessou. Um obstáculo ultrapassado com um projeto de “costureira de elite”, primeiro com o Citeve e agora com o Modatex. «Estou a repetir porque é preciso mudar a cabeça das pessoas. É preciso formar, mas é preciso que as pessoas o queiram e isso é a dificuldade maior», admitiu. «É uma equipa pequena, que está a crescer, tem as suas dificuldades. Mas é uma equipa unida», destacou.

Com o selo da TMG saem 400 a 500 toneladas de malha por ano, parte produzida dentro de portas, outra parte com recurso à subcontratação. Dos 120 milhões de euros de volume de negócios do grupo TMG em 2016, 8 milhões foram gerados pela área das malhas, incluindo malha em rolo e peça confecionada – o dobro do valor registado em 2012. «Quando peguei no negócio, eram três ou quatro milhões de euros. Costumo dizer que isto é uma startup, porque foi uma mudança completa», afirmou Sandra Gonçalves.

Uma mudança que se sentiu também no produto, que anteriormente estava centrado no segmento do desporto. «Entrámos no negócio dos blazers de malha, das camisas e começamos a entrar no negócio das calças em malha», adiantou a administradora. Para isso, a empresa criou, mais do que um portefólio, uma coleção, que para a primavera-verão 2018 inclui 120 referências. «Temos de ser “barra” em camisas de malha, porque quem faz camisas de tecido tem grande dificuldade em fazer camisas de malha. Nós estamos habituados a fazer malha», apontou ao Jornal Têxtil. A integração numa empresa vertical tem igualmente ajudado o negócio, acredita. «É muito importante esta ligação entre o desenvolvimento do artigo propriamente dito e a fábrica de acabamentos», referiu, destacando ainda as mais-valias da interação com a TMG Automotive. «O vestuário vai beber o know-how do facto de trabalharmos para a indústria automóvel. A indústria automóvel tem uns requisitos muito apertados, rigorosos», indicou Sandra Gonçalves.

A Europa é o grande mercado das malhas tricotadas na TMG, com França, Espanha, Inglaterra, Finlândia e Itália como principais destinos. Já no vestuário em malha, a empresa trabalha com marcas de moda especialmente do mercado inglês, francês, finlandês e alemão. «Há um foco grande na Europa, mas gostava de estar nos EUA. Estamos a trabalhar nisso», revelou Sandra Gonçalves ao Jornal Têxtil. «O meu objetivo é estar entre os melhores», sublinhou, citando a Itália como exemplo. «Eles têm uma vantagem, o “made in Italy”, mas Portugal tem a relação qualidade-preço. E eles são todos muito compartimentados, aqui não. Aqui conseguimos fazer amostras no tempo que eles pretendem – às vezes temos de fazer amostras em três, quatro dias e em malhas não é fácil. Mas é a amostra que vai trazer o cliente e isso diferencia-nos», concluiu a administradora.