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A revolução dos tecidos

O Oriente levou à passarela peças de vestuário inteligentes, capazes mesmo de melhorar a nossa fisiologia e desde que deu a conhecer as suas primeiras propostas, o mundo inteiro juntou-se-lhe à cruzada da revolução dos tecidos. Cuecas com grãos microscópicos de areia amarela redutores do mau cheiro, calções com cafeína para adelgaçar, gravatas e calças anti-radioactivas ou guarda-chuvas com cheiro a menta. São estes alguns dos novos inventos que estão a gerar um grande negócio porque, apesar de ser somente por curiosidade, as pessoas adquirem-nos. Na Coreia, a revolução têxtil começou para os slips. Estão a fazê-los com um tecido no qual introduzem grânulos microscópicos de areia amarela, que supostamente emitem um tipo de raios infravermelhos, que deve reduzir o mau cheiro que desprendem depois de serem usados durante vários dias, e podem mesmo melhorar a circulação sanguínea. E para colocar por cima destas modernas roupas intimas, a Levi Strauss é o primeiro fabricante do mundo a colocar à venda calças de ganga com bolsos anti-radiações para levar o telemóvel. Outra marca coreana, a Kolon Corp, está a fazer um grande negócio com a venda de uma linha de fatos perfumados para homem. Um fabricante japonês, Fuji Spinning, lançou cuecas e soutiens adelgaçantes que contêm extractos de cafeína e de algas. No passado mês de Janeiro, a filial de Hong Kong da Triumph International lançou na Ásia roupa interior com Aloe Vera, uma sustância que hidrata a pele e cujo efeito dura até quarenta lavagens. No que respeita aos soutiens, a última novidade são os modelos feitos com fibras de cobre que bloqueiam as ondas electromagnéticas. Para que não falte nada, e a fim de evitar os incómodos típicos da menstruação, a empresa B.L. Corea idealizou umas calças que reduzem as dores que as mulheres sofrem durante este período. Outros dos investimentos feitos em “roupa saudável” foi o de uma empresa japonesa que inventou uma camisa com vitamina C. Há alguns dias foi anunciado que um grupo de cientistas alemães está a estudar o uso de roupa impregnada de medicamentos para curar doenças. As investigações médicas trabalham para o desenvolvimento de micro-cápsulas para tratar doenças dermatológicas, com substâncias que, misturadas com o tecido, são activadas quando entram em contacto com a pele. Adeus à tábua de engomar De todas as inovações têxteis, nenhuma irá ter tanto êxito como o novo tecido que está a ponto de chegar ao mercado: algodão que não encorrilha. É o adeus à tábua de engomar. O segredo está em aplicar ao algodão uma tecnologia especial de costuras livres de rugas. Antes encorrilhavam porque os fios usados para coser as diversas partes da camisa encolhiam mais do que o resto da peça provocando rugas. Os fabricantes de tecidos estão a aplicar ao algodão uma espécie de Botox (proteína botulímica) que se aplica na medicina estética para dissimular o reenchimento das rugas. A primeira onda das camisas sem rugas nasceu há alguns anos, com a aparição do poliéster. Mas apesar dos avanços, as peças necessitam de um retoque com o ferro de engomar. As camisas fabricadas com este novo algodão, que leva uma espécie de resina que estira o tecido, custa cerca de 38 euros. Existem em algodão fino e grosso e a sua impecável textura dura cerca de 45 lavagens.