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A rota do luxo digital

Paralelamente à aquisição de gostos cada vez mais globalizados, motivados pela acessibilidade das viagens para o exterior, pela influência hollywoodesca e da diáspora, os indianos têm vindo a procurar o luxo – internacional e doméstico – entre cliques.

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A fashionista Priya Sachdev, fundadora e presidente-executiva do website de produtos de luxo RockNShop.com, faz planos de expandir o seu comércio eletrónico com a introdução de marcas para os mais novos no portal já no próximo mês. No horizonte está ainda o lançamento de uma seção de artigos de decoração, revela o Livemint.

Amit Maheshwari, CEO do website Exclusively.com, está igualmente ocupado com o plano de expansão. O website foi adquirido pela Snapdeal em fevereiro de 2015 e o seu CEO espera que a integração faça escalar os negócios. No último ano, o Exclusively cresceu 400%, afirma Maheshwari, e tem intenções de fortalecer a gama de produtos de beleza a cuidados pessoais, a par de peças de designer, atualmente a principal oferta do portal.

Vijay K.G., CEO e fundador do Luxepolis.com, também planeia adicionar a categoria de beleza ao seu endereço de comércio eletrónico, que já vende acessórios e vestuário.

O peso do marketplace

O Exclusively.com, entretanto, tem vindo a estabelecer contacto com várias marcas de luxo internacionais com quem procura firmar parceria para a sua estreia na Índia. Algumas marcas não pretendem entrar na Índia via espaço físico e, em vez disso, procuram lançar-se através de um marketplace online, referiu Maheshwari, sem nomear as insígnias com as quais a sua empresa tem mantido diálogo.

Nos últimos dois anos, vários retalhistas de luxo e e-tailers premium (a par dos mencionados, há também o Elitify e o Darveys) têm feito chegar aos homens e mulheres da Índia marcas como Dior, Gucci, Emporio Armani, Hermès, Chanel, Salvatore Ferragamo, Bulgari e muitas outras.

A RockNShop, que arrancou com 12 marcas, em 2014, propõe atualmente um portefólio de 65. Com o lançamento da sua gama de criança, o número deverá subir para as 100, indica a fundadora. À venda no portal de Priya Sachdev há marcas de vestuário e joalharia – internacionais e domésticas – ao lado de bolsas, relógios, calçado, lenços e uma miscelânea de outros produtos.

Considerando os planos de expansão dos marketplaces de produtos de luxo online, estes deverão estar confiantes sobre o seu potencial de negócios. Parte dessa confiança advém do facto de por cada dólar gasto na Índia em artigos de luxo, os indianos gastam 9 fora de portas, pelo que existe espaço para crescimento neste mercado.

As pequenas cidades

Curiosamente, os fundadores destes portais de comércio eletrónico acreditam que os negócios de luxo online deverão crescer de forma considerável em pequenas cidades – uma fatia significativa das encomendas já está a chegar aos websites através destes consumidores sendo que, a estimular o tráfego, estão as aspirações desses consumidores e o acesso permitido pelos portais de luxo.

Quando foi adquirido pela Snapdeal, o portal Exclusively era uma empresa com sede em Nova Iorque que vendia em 150 países. Atualmente o foco incide na Índia e cerca de 60% do seu tráfego chega das áreas metropolitanas. Todavia, os restantes 40% provêm de outras cidades. Para a retalhista online, as cidades de Ahmedabad e Pune são mercados de rápido crescimento.

40% dos consumidores do Luxepolis também chegam de cidades de menor escala, como Dehradun, Indore, Nagpur, Amritsar, Kochi, Visakhapatnam e Gangtok. «Há dinheiro nestes mercados, mas não há acesso às marcas de luxo. À medida que os indianos adquirem gostos mais globalizados, graças a viagens mais acessíveis, à influência de Hollywood e Bollywood e da diáspora indiana, eles procuram adquirir marcas de luxo estrangeiras», explicou Vijay.

As possibilidades online

Surpreendentemente, num mercado como a Índia, onde os espaços físicos do luxo atravessam dificuldades e entraves à expansão, o modelo online é vasto em possibilidades. Primeiro, porque o canal online traz disciplina à oferta e à procura do sector. É possível encontrar toda a gama de uma marca particular num só local, em vez de esta ser distribuída em vários espaços físicos.

As marcas de luxo têm vindo a limitar a sua distribuição na Índia. Excetuando alguns centros comerciais de primeira linha e algumas lojas de luxo, grande parte do país não é servido pelo retalho de luxo. A disponibilidade online de marcas de topo surge como uma opção viável. Também é uma alternativa vantajosa para consumidores que se sentem intimidados em comprar em espaços físicos.

Para o Luxepolis, a procura proveniente das pequenas cidades é alimentada pela pré-encomenda de bens de luxo que o portal vende online. Basicamente, estes são artigos em segunda mão, em excelentes condições e certificados pela empresa. Em produtos pré-encomendados, o Luxepolis oferece um desconto entre 40 e 70%.

Com a fast fashion a assumir-se como uma tendência amplamente aceite, há uma rotatividade maior nos produtos de luxo. Os consumidores estão constantemente à procura de renovar as suas bolsas e acessórios e exibirem novas aquisições.

Lançado em novembro de 2015, o Luxepolis vendeu 70% de novos produtos no primeiro mês, enquanto os restantes 30% dos produtos estavam na categoria de revenda. No entanto, no segundo mês, os artigos em segunda mão representavam já 51% das vendas.

Atualmente, o Exclusively.com não lida com produtos de luxo em segunda mão. Mas Amit Maheshwari admite que este é um mercado interessante.

De acordo com as estimativas, a base atual de clientes de luxo na Índia é de 50 milhões, um número que deverá alcançar os 100 milhões em 2020. Com 20 milhões de indianos a seguirem conteúdos de luxo no Facebook, parte da base dos consumidores em expansão pode movimentar-se online para fazer compras de luxo.