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A. Sampaio e Lemar dão asas à criatividade ecológica

As duas empresas estão envolvidas no projeto B-SEArcular, que junta ainda a Seaqual Initiative, a Epson, a Lisbon School of Design e a INEDIT Design. O objetivo é criar um modelo de produção circular, que começa com a recolha do plástico no mar e termina com a reciclagem do vestuário, num processo que valoriza o design.

[©Seaqual Iniciative]

Com as imagens de ilhas de plástico no oceano a dar visibilidade ao problema do excesso deste material no nosso dia a dia, o projeto B-SEArcular pretende contribuir para a diminuição do problema. «Em 2025, haverá no oceano uma tonelada de plástico para cada três toneladas de peixe e, em 2050, o peso do plástico poderá vir a ultrapassar o dos animais marinhos», refere a Epson em comunicado, acrescentando que «as últimas campanhas de monitorização de lixo nas praias, conduzidas em 2019 pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), identificaram que 5,3% destes resíduos resultam do turismo e atividades recreativas, 5,9% são atribuídos ao saneamento e 3,6% à pesca e aquacultura».

João Mendes

Se o primeiro passo é reduzir a utilização de plástico, o seguinte será recolher os materiais poluentes já presentes nos oceanos e, se possível, dar-lhes uma nova vida, como pretende o B-SEArcular. «Este projeto mostra que através da economia circular podemos atingir um objetivo comum, através de diferentes agentes. Assim, a ação nasce de um modelo sustentável que consiste no reaproveitamento dos plásticos que ancoram nos oceanos para a fabricação de tecidos que posteriormente serão transformados em peças de moda», resume a Epson.

Criatividade desde os têxteis

Depois dos materiais plásticos serem recolhidos da costa de Barcelona pela associação de pescadores da cidade, a Seaqual Iniciative procede à sua transformação nos fios Seaqual, que são usados pela A. Sampaio e pela Lemar para produzir malhas e tecidos, com diferentes qualidades e texturas.

«A sustentabilidade ambiental, económica e social é um dos eixos basilares da nossa atuação enquanto empresa. Relativamente à sustentabilidade ambiental, damos grande importância às matérias-primas utilizadas, bem como à maneira como as processamos. O projeto B-SEArcular ajusta-se perfeitamente à nossa visão de sustentabilidade, pelo que assume importância estratégica neste eixo», afirma João Mendes, administrador da A. Sampaio & Filhos.

Armindo Araújo

A empresa tem experiência com artigos sustentáveis há mais de uma década e tem feito esforços no sentido de reduzir cada vez mais a sua pegada ecológica, como mostram os mais recentes investimentos em energia fotovoltaica. «Queríamos reduzir os nossos consumos elétricos em geral, através da iluminação racional e máquinas mais eficientes. Depois temos de ter atenção na forma como a energia é obtida. Nesse sentido, quanto mais energia for obtida por vias renováveis, melhor para o ambiente e melhor para a empresa», revelou, na altura, João Mendes ao Portugal Têxtil.

O mesmo acontece com a Lemar. «Temos vindo a assumir uma posição de vanguarda na pesquisa e produção de tecidos amigos do ambiente, feitos com fios de poliéster reciclado, poliamida reciclada, poliamida biodegradável e viscose sustentável, por isso mesmo o B-SEArcular está alinhado com os nossos valores», garante Flávio Dias, diretor de exportação da Lemar.

O próprio mercado tem assumido essa vertente, desvendou Armindo Araújo, administrador da empresa, em entrevista ao Jornal Têxtil de março de 2020. «A Lemar, já há muitos anos, tinha tocado essa tecla da sustentabilidade, mas o mercado não pedia e as pessoas não eram sensíveis aos tecidos e aos fios reciclados. Portanto, não conseguíamos evoluir. Nos últimos tempos tem havido uma febre por tecidos reciclados e, atualmente, propomos uma vasta oferta de artigos reciclados e ecológicos», garantiu.

Design dá prémios

A parte de desenvolvimento criativo das peças de vestuário é realizada em parceria com a Lisbon Design School, que irá desafiar seis turmas de Design de Moda a apresentar as melhores ideias a partir do tema “a vida começa no mar”. Haverá posteriormente uma seleção de seis finalistas que se habilitarão a ganhar um prémio que inclui um produto Epson e a possibilidade de lançar a sua própria coleção-cápsula com o apoio de mentoring de todos os parceiros envolvidos, desde o design à conceção e lançamento oficial da coleção.

Raúl Sanahuja [©Dircomfidencial]
Neste processo criativo, os alunos terão acesso à tecnologia de impressão SureColor da Epson, que segundo a empresa, permite uma «economia considerável no consumo de água e energia em comparação com as técnicas de estampagem tradicionais». Para Inês Teixeira, fundadora e designer da INEDIT Design, «esta tecnologia não limita a criatividade dos alunos nem o uso de cor, forma ou padrões, por isso mesmo será fantástico poder ver o design aplicado aos tecidos».

Na última fase do processo, como o material das peças ainda é plástico, quando o vestuário chegar ao fim da sua vida útil poderá ser reciclado e voltar ao início, à forma de novelos de fios de poliéster, para fechar o círculo.

«Este é um projeto desafiante e importantíssimo para o crescimento dos nossos alunos, não só em termos de criatividade como de consciência ambiental e sustentável. Dar-lhes a conhecer novos materiais e como podem trabalhar em projetos de economia circular, onde são eles quem fecha o círculo, é muito motivante para o seu desenvolvimento criativo», acredita Isabel Marcos, coordenadora do curso de Design de Moda da Lisbon School of Design.

Isabel Marcos [©Lisbon School of Design]
Para a Epson, explica Raúl Sanahuja, communications manager da Epson Ibérica «a colaboração entre a Epson, a Lisbon School of Design, a A. Sampaio & Filhos, a Lemar, a INEDIT Design e a Seaqual Initiative responde aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pelas Nações Unidas e ao nosso empenho e vontade de trabalhar no desenvolvimento de projetos que permitem um modelo económico mais responsável com o meio ambiente. A sustentabilidade está no ADN da Epson e a concretização deste projeto em Portugal, seguido da implementação em Espanha, enche-nos de orgulho e vontade de o levar a outros países».