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A. Sampaio investe em energia solar

A tricotagem de Santo Tirso, que há mais de uma década integrou a sustentabilidade nos seus produtos, está a investir em painéis fotovoltaicos. O investimento, em curso, junta-se à atualização do parque de máquinas e à aposta em novas tecnologias de informação que colocam a A. Sampaio & Filhos mais próxima da chamada Indústria 4.0.

João Mendes

A empresa, onde trabalham mais de 190 pessoas, está a colocar painéis fotovoltaicos, num investimento que ainda se encontra em curso e que, no final, deverá permitir gerar 15% a 20% da energia necessária ao seu funcionamento. «Queríamos reduzir os nossos consumos elétricos em geral, através da iluminação racional e máquinas mais eficientes. Depois temos de ter atenção na forma como a energia é obtida. Nesse sentido, quanto mais energia for obtida por vias renováveis, melhor para o ambiente e melhor para a empresa», justifica João Mendes, administrador da A. Sampaio & Filhos.

Os investimentos não se ficam por aqui e contemplaram já o parque de máquinas, com a aquisição de tecnologias para a produção de jogos mais finos, assim como equipamentos mais eficientes, e infraestruturas de comunicação e informação, como servidores. «A conectividade entre os equipamentos industriais, a captação de dados e tudo isso já temos desde 1998. Claro que os softwares e as bases de dados evoluem e as empresas têm de acompanhar e, de preferência, pensar no que vem a seguir. Por isso temos feito muitos investimentos nesta área», aponta o administrador, que sublinha que «não é bem indústria 4.0, mas já estamos num patamar bastante interessante há muito tempo».

Sustentabilidade obrigatória

O mesmo acontece com a questão da sustentabilidade. A A. Sampaio desde há vários anos que integra nas suas coleções fibras com características “amigas do ambiente”, que até já lhe valeram prémios, tanto que João Mendes já nem faz essa distinção na gama de artigos, que divide agora em artigos para moda, para desporto e para segurança. «Antigamente eu também dizia que trabalhava na área da sustentabilidade, mas isso agora misturou-se com os conceitos todos. Já não faz sentido abordar como um conceito separado», afirma ao Portugal Têxtil.

Isso não impede que a empresa responda a uma procura crescente por artigos mais sustentáveis com a nova coleção, que aposta na qualidade e funcionalidade. «Achamos que o mercado mais alto procura funcionalidade e tecnicidade e depois pergunta-se como é que podemos oferecer produtos que sejam compatíveis com o visual, a estética e o toque de uma marca de luxo, mas incorporado na funcionalidade. Temos propostas interessantes para o cliente ter mais valor, sem perder os fatores que caracterizam a nível de perceção de qualidade do produto. Isso funciona tanto na parte das funcionalidades técnicas, como na parte de sustentabilidade», revela.

Ao nível das fibras, uma das novidades é a introdução de propostas com lã reciclada. Uma malha com fibras recicladas de lã, algodão, poliéster, poliamida e acrílico, foi usada para produzir um vestido que está nomeado para os iTechStyle Awards na categoria de sustentabilidade.«Os nossos clientes, de uma maneira geral, querem [produtos sustentáveis], e quando querem, querem mesmo, não é só porque agora é moda», garante o administrador da A. Sampaio, que procura «clientes que pensem da mesma maneira que nós, que estejam interessados, de preferência, em parcerias a longo prazo e não apenas em cooperações pontuais». A recetividade à nova coleção «tem sido bastante positiva», fruto do trabalho de toda a equipa, do desenvolvimento aos comerciais. «O nosso trabalho também é encontrar os clientes que dão valor àquilo que fazemos», considera.

Embora esteja também presente nos EUA, o Velho Continente continua a ser o principal destino dos artigos fabricados pela produtora de malhas. «A Europa continua a ser o mercado com mais relevância. Continuamos proativamente a desenvolver produtos, a mostrá-los, a contactar clientes – isso não muda se o ciclo é bom ou mau. Temos de continuar a trabalhar sempre», assegura João Mendes.

Depois de um crescimento de 15% em 2018, para um volume de negócios de 23 milhões de euros, 2019 deverá ser «um ano mais estável» para a empresa. «Não é muito fácil manter taxas de crescimento, em particular quando o mercado não está muito forte. Está a ser um ano sem grandes variações», conclui o administrador da A. Sampaio & Filhos.