Início Notícias Marcas

A senhora que se segue

Bouchra Jarrar é a senhora que se segue na Lanvin. A designer substitui Alber Elbaz ao leme da direção criativa, cinco meses depois do anúncio que abalou o mundo da moda e causou alguma incerteza em relação ao futuro da mais antiga casa de moda francesa.

A descendente de marroquinos, nascida em Paris há 45 anos, é conhecida pelos seus coordenados neoclássicos em preto e branco e casacos de smoking femininos. Criou a sua casa de moda epónima em 2010 e juntou-se ao prestigiado clube da alta-costura em 2013.

Anteriormente, Jarrar trabalhou durante quase uma década com Nicolas Ghesquière, na altura na Balenciaga e agora diretor criativo da Louis Vuitton, e com a Christian Lacroix Couture.

A Lanvin anunciou na passada sexta-feira, 11 de março, que Jarrar vai encerrar a sua marca própria para se focar em exclusivo na Lanvin e que irá trazer «algumas» das pessoas da sua equipa com ela.

Fundada em 1889, a casa Lanvin é conhecida pelos seus vestidos de cocktail em seda adornados com joalharia e é uma das últimas grandes marcas de moda de luxo em França. Muitos especialistas da indústria consideram que a casa francesa tem o potencial de ser uma das maiores marcas de moda da indústria e pode replicar o sucesso fenomenal que tem a Valentino.

Várias fontes estimam que a Lanvin necessita de pelo menos 100 milhões de euros de investimento para elevar o seu desenvolvimento para o próximo nível. Atualmente, a marca de moda conta 36 lojas diretamente operadas em todo o mundo, um número pequeno em comparação com grandes marcas como a Gucci e a Louis Vuitton, que têm centenas.

A principal acionista da Lanvin, a magnata dos media de Taiwan, Shaw-Lan Wang, vendeu muitos dos bens da casa de moda, incluindo as operações japonesas, assim como o negócio de perfume à Interparfums.

A prioridade de Jarrar, para além de infundir nova vida criativa na Lanvin, será restaurar a paz numa empresa onde os trabalhadores têm estado em disputa com a administração desde a saída de Alber Elbaz, referem fontes à Reuters.

Wang chocou a indústria com o despedimento de Elbaz, um dos “meninos bonitos” da moda, que estava ao leme criativo da Lanvin nos últimos 14 anos (ver Dança de cadeiras em Paris). O designer possui uma quota de quase 18% no negócio e é a ele que muitos atribuem a revitalização da casa francesa.

As tensões entre os Elbaz e Wang foram crescendo depois do ex-diretor criativo ter atraído ofertas pela empresa, preocupado porque a principal acionista não estava a investir o suficiente no crescimento internacional e desenvolvimento de produto, segundo fontes anónimas. Uma das ofertas veio da parte dos donos da Valentino, o grupo de investimento Mayoola do Qatar, que ofereceram mais de 400 milhões de euros, referem as fontes.

As vendas da Lanvin, que atingiram cerca de 240 milhões de euros em 2012, caíram para cerca de 200 milhões de euros, de acordo com os documentos oficiais da empresa apresentados junto das autoridades francesas.

O anterior diretor-executivo da casa de moda, Thierry Andretta, agora ao leme da Mulberry, abandonou a Lanvin em 2013 devido a diferenças com Wang relativamente à estratégia a seguir. Os outros acionistas minoritários da Lanvin incluem o investidor alemão Ralph Bartel, que tem uma quota de 25%.