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A sustentabilidade na nossa mão

Sejam naturais, artificiais ou sintéticas, a forma como as fibras são cultivadas ou fabricadas tem um papel crucial na sustentabilidade da cadeia de aprovisionamento da indústria têxtil e vestuário.

Embora constitua apenas o ponto de partida da cadeia de aprovisionamento, a produção de fibras representa uma parte significativa dos malefícios do sector para o meio ambiente, de acordo com um estudo publicado na mais recente edição da Global Apparel Markets, da Textiles Intelligence.

No caso da lã, os problemas começam com a criação das ovelhas. O estrume gerado por estes animais, por exemplo, tem contribuído significativamente para o aumento dos gases com efeito de estufa nos últimos 250 anos e a matéria fecal tem contaminado os cursos de água em áreas onde as ovelhas são cuidadas.

No caso do algodão, há um problema com a utilização de água – são necessários cerca de 8.500 litros de água para cultivar o algodão necessário para produzir uma t-shirt e uns jeans. Soma-se ainda a utilização de pesticidas, fertilizantes sintéticos e outros químicos que podem causar danos ao ambiente.

Já emergiram várias iniciativas para melhorar a sustentabilidade do chamado ouro branco, incluindo a Better Cotton Initiative (BCI), algodão orgânico, Cotton made in Africa (CmiA) e algodão certificado de comércio justo. No entanto, segundo a Textiles Intelligence, em 2015, o algodão orgânico representou apenas 0,5% e mesmo quando se acrescenta a produção resultante das outras iniciativas, a quota ronda somente os 16%.

As fibras artificiais podem parecer uma alternativa mais amiga do ambiente, tendo em conta que na produção de fibras celulósicas – como cupro, liocel, modal e viscose –, a maior proporção da matéria-prima usada é a polpa de madeira, que pode ser obtida através de uma fonte renovável. No entanto, a grande parte das fibras celulósicas é fabricada usando um processo pouco amigo do ambiente – com a exceção das fibras de liocel.

Já na produção de fibras sintéticas, as matérias-primas são menos amigas do ambiente do que as usadas na produção de fibras celulósicas pelo Homem, uma vez que, na maioria, são derivadas da indústria petroquímica, com combustíveis fósseis não-renováveis.

Há várias iniciativas em curso para desenvolver fibras sintéticas a partir de fontes mais sustentáveis, nomeadamente com a reciclagem de garrafas de PET (politereftalato de etileno) pós-consumo e fibras sintéticas produzidas a partir de culturas agrícolas.

Contudo, destaca o estudo, «os críticos argumentam que a utilização de culturas agrícolas como matérias-primas para fibras sintéticas usa terra que devia ser dedicada a alimentar a crescente população mundial».

Como tal, o relatório da Textiles Intelligence conclui que «a indústria têxtil ainda tem um longo caminho a percorrer. Apesar dos esforços dedicados para melhorar a sustentabilidade ambiental da cadeia de aprovisionamento, as fibras sustentáveis representam apenas uma pequena proporção dos 89 milhões de toneladas produzidas mundialmente».